Que diferença desse jovem governador para com seu pai agora Senador, homem este que como governador, com seu alerta por me perceber mal informado, fez com que eu não me expusesse defendendo causa injusta e/ou pouco honesta. Foi contemporâneo de Mestrinho no Amazonas e a qualquer dos dois, sempre disse a todos, tenham os defeitos que tiverem, suas existências sempre foram altamente necessárias aos intentos dos dois maiores Estados de nosso país. Não só cuidavam de suas gentes como as respeitavam, a ponto de nunca permitirem que influências internas ou externas pudessem trazer insegurança, algum sofrimento ou dor a seus governados. Não houve tamanho de bolsa ou política que os fizessem abandonar esses cuidados; aos estrangeiros, atenção, recusa educada, e só… Não fossem eles, os dois, a democrática maioria do sul/sudeste há tempos nos teria submergido.
Cartas a Lula 18

Pois é Lula, com esta atingimos a maioridade nas escritas domingueiras. São dezoito agora e o pior é que não sei se adianta muito, porque o que tem me parecido é que apenas impulsivas emoções políticas têm gerido decisões administrativas em nosso país.
Temos assistido coisas com respingos até de iniquidades, sem nenhum respeito a nossa gente, a cultura que possuímos e ao próprio sustento que até aqui se busca. Nesta semana que passou, o governo do Pará sem nenhuma paciência, nem a migrantes, nem a naturais, promoveu uma reunião naquela famosa capital que sempre digo que está de costas para quem produz e trabalha no interior daquele Estado. Não se compreendeu muito por que ele abriu dizendo que não precisava mais de votos, uma vez que já estaria eleito e que tampouco teria visão a satisfazer aos presentes que denotasse o mínimo de tolerância ou mesmo precaução.
Ainda nesta reunião, ao ser inquirido por colonos e extrativistas de todas as atividades, do que fazer, respondeu apenas dizendo que todos parassem o que estavam fazendo e fossem buscar legalizações, por não existir irregulares e sim ILEGALIDADES.
Meu caro Lula, transmita ao governador que ILEGAIS na Amazônia são as LEIS. Aquelas leis que criaram Flonas e Parques sobre reservas extrativistas garimpeiras e minerais sem nenhuma observação, sequer legal, às atividades humanas então existentes ferindo constitucionalmente a direitos vintenários adquiridos. E saiba, politicamente foram criadas tão somente a fim de deter a atividade humana, bastando verificar que a “legalidade” que as criou, conferiu cinco anos de prazo para que autoridades ambientais, (coincidentemente as mesmas de hoje), procedessem a seus manejos, vistorias e inspeções, após o que, a estudo de possível regularização daquelas pessoas. É Lula, já lá se foram mais de sete, oito, dez… anos do tempo de seu primeiro mandato e jamais os administradores responsáveis (os mesmos) cumpriram o que a lei os mandou proceder. Situação essa em foro jurídico.
Ninguém na Amazônia tem como se auto legalizar, a Constituição atribuiu essa tarefa a governo e o engraçado é que os próprios governos estaduais não têm nenhum peso ou autoridade sobre isso, observação que tudo é federalizado. Por esta suposição, pode se notar que todas as ações advindas do estado federado são tão somente para mostrar presença, receber alguns trocados ou ser abraçado por rei de piratas do outro lado do oceano.
O curioso Lula, nessa questão socioambiental de proporção amazônica, que como você diz “mais valem os paus em pé”, os seres humanos ao governo, seu, não valem porra nenhuma. Afinal, o que pensam Soros? Amazônia não é uma cidade na qual se tem alternativas de sustento, tal como atravessar uma rua e colocar banca de camelô ou mesmo adotar o crime, e sair explodindo caixas de banco. Até isso lá é complicado de ser feito e a sobra mesmo, será cair no anonimato se permitindo abraçar ao tráfico de tudo, desde o menor e mais bonito peixe ornamental, até ao grande poder que a droga tem em possuir os homens.
Ao ver esses devaneios ambientalistas ($$$) sobre nossa Amazônia, fico sempre a conjecturar, porque somos nós tão mais importantes a sermos confrontados numa puta selva daquela, em vez a questão de milhões e milhões de paulistas em um Rio Tietê ou Ipiranga. Ali até já pensei em fabricar um excelente supositório para canalizar os traseiros de empresários industriais, indo direto ao tratamento, deixando assim de provocar tantos danos e poluição daquelas poucas águas. No São Paulo Lula, a sujidade é muita, bem mal administrada ou cuidada até água fica preta. Acho que você sabe disso…
E a ministra de meio ambiente de origem acreana, que não se confunda de coração amazônico, foi eleita por São Paulo, onde jamais deu atenção ao pouco saudável ambiente em que vivem seus eleitores. Visão feroz de fiscal, só a nós.
Mesmos os índios vizinhos daquela cidade são levianamente maus tratados, esquecidos e deixados a própria sorte. Vocês só querem tratar de nós e dos nossos que estamos mais presentes em mídia, porém ínfimos numericamente àquela extensão geográfica.
Mas, uma coisa é certo Lula, seja devastação, seja uma possível e desconhecida poluição, o nosso caso aqui não é de intolerável imundície nem semeadura de podres dejetos. Os estragos que sempre ficam são algumas cicatrizes provocadas para sustento não só da nossa vida, mas também da nação como um todo, e se a nossa própria vida tem tantas cicatrizes, mas tantas que ninguém nunca pergunta o porquê de aqui estarmos, por que não compartilharmos um mínimo delas, cicatrizes, com a região que nos acolhe e nos permite viver?
Vou lembrar a vocês que o poder de renovação da Amazônia é uma barbaridade, a vida que aqui existe, produzida pela natureza, é bem tratada por Deus e se com ela se pode coexistir. Mesmo a chuva, acontece proporcionando sua existência, e não ela fazendo que chova. Os ventos amazônicos constantes, leste oeste, carregam em seus ares diariamente, bilhões e bilhões de fecundos pólens que provocam renascimento que vocês também ignoram.
Se você realmente algum dia se der tempo a ler estas cartas, que todas podem ser encontradas no site deste jornal, procure delas tirar um bom proveito, até para raciocino contrário, porque uma coisa é certa Lula, sempre foram escritas com honestidade de propósitos e sem vislumbre de nenhum possível ganho. Estamos caminhando para um desastre de uma revolta agressiva ou de uma grande miserabilidade, esta mais possível.
A política aliada a projetos por dinheiros, dispensando uma inteira sociedade, tem feito se perder comedida prudência em nossa Nação.
Jose Altino Machado
Macapá, 19/03/2023