Um casal que morava em uma residência construída em madeira dentro de uma área alagada, conhecida como ‘ressaca’, no bairro Araxá, na zona sul de Macapá, levou um susto quando viu a estrutura afundar e tombar dentro da água na tarde desta terça-feira (10).
A família foi socorrida por vizinhos que ainda tentaram salvar alguns objetos, mas a estrutura ameaça cair totalmente. A Defesa Civil municipal esteve no local avaliando os danos e isolou o imóvel.
“Ao chegar no local, constatamos que trata-se de uma área de ressaca, que deverá ser vistoriada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente [Semam]”, disse o coordenador da Defesa Civil, Aldair Santos.
Uma equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) fez o cadastro dos moradores no benefício do Aluguel Social, para que o casal possa encontrar um lugar seguro para viver, além de disponibilizar produtos de higiene. Roupas e calçados foram fornecidos pela Secretaria Municipal de Mobilização e Participação Popular.
“Reforçamos com a população sobre construção irregular em área de ressaca, que é proibida pelo Plano Diretor Municipal 026/004. Vamos trabalhar para monitorar locais como esse e evitar a ampliação desses espaços”, disse o titular da Semam, Marcelo Oliveira.
Áreas de ressaca
As construções nessas áreas alagadas, semelhante as palafitas, foram intensificadas em Macapá a partir de 1990, com o avanço populacional. Um estudo da Universidade Federal do Amapá (Unifap) apontou que a maioria dos moradores vieram, à época, do interior do estado e de ilhas próximas como a do Marajó, no Pará.
A pesquisa intitulada “Habitação Popular na Amazônia” foi desenvolvida por Bianca Moro, doutora em arquitetura, e observou as casas construídas em áreas alagadas dos bairros Beirol, Pacoval, Lagoa dos Índios e Congós.
Até 2010, estimava-se cerca de 14 mil moradias nessas regiões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2015, a Fundação João Pinheiro, elevou o número para 29 mil em todo o estado. Já a Promotoria de Justiça do Meio Ambiente do Ministério Público do Amapá (MP-AP) diz que ao menos 20% da população amapaense more em áreas alagadas.

