O Jornal A Gazeta conversou, com exclusividade, com a banca de advogados que vai fazer a defesa de Renata Tourinho, esposa de Uanderson Almeida Richene, que morreu na noite de sexta-feira (12), no bairro Marabaixo 4, em Macapá, vitima de disparo de arma de fogo.
“O tiro foi acidental, eles estavam discutindo, Renata pegou a arma porque a intenção era tirar a própria vida, mas travaram luta corporal e a arma disparou foi um tiro acidental e provamos isso”, disse um dos advogados.
Segundo eles, que preferem manter a identidade preservada, Renata vivia uma relação conturbada com Uanderson, “a relação dos dois era abusiva, conturbada, foram 22 anos de abusos, em que ela e os filhos eram ameaçados constantemente, ela (Renata) era espancada xingada, a família temia que ela fosse assassinada”.
Para provar o que afirmam, os advogados apresentaram prints de conversas entre Uanderson e Renata em um grupo de mensagens. Em uma das conversas Uanderson implora que Renata volte pra casa e que esqueça a briga.
“Renata conviveu com Uanderson durante 22 anos, desde o inicio a vida deles foi pautada por brigas e espancamentos, todo final de semana era uma briga e, muita das vezes, sem motivo algum, ele era uma pessoa ciumenta, desequilibrada, via traições que não existiam”, contam os advogados.
Na sexta-feira (12), dia em que Uanderson morreu, Renata contou para os advogados que estava em casa com os filhos, por volta das 19h, quando Uanderson chegou e exigiu que todos sentassem à mesa para jantar.
“Renata nos contou que, mesmo a contragosto, porque estava em uma live da universidade, jantou com ele e os filhos, depois foi para o quarto assistir um culto, que também era ao vivo, e acabou adormecendo, acordou com o marido vasculhando o seu celular. Ela perguntou o que ele procurava e esse foi o estopim para a briga”, dizem.
A briga foi ficando intensa e Renata afirmou que não aguentava mais e decidiu ir para a casa da mãe, nesse momento Uanderson trancou a porta do quarto e disse que ela não sairia de lá, “no momento em que ele trancou a porta Renata perdeu o controle e resolveu tirar a própria vida, ela surtou, eram anos de abusos e espancamentos e ela pegou a arma, mas a intenção era o suicídio, mas ele resolveu tomar a arma e, na briga, o revolver disparou e acertou Uanderson, foi acidental, não houve a intenção e matar”, contam.
O processo seguirá os tramites legais, mas os advogados afirmam que vão provar a tese de tiro acidental e legitima defesa, “as cicatrizes que Renata tem no corpo e na alma vão provar que Uanderson era desiquilibrado. Que ela viveu, junto com os filhos, uma vida de humilhações e abusos”, observam.
Agressões
Nos prints de conversas em mensagens de texto e áudios, e mais vídeos que os advogados apresentaram, é possível ver a forma como Renata era tratada por Uanderson.

Em uma das fotos a mulher aparece com um longo corte no rosto que foi, segundo ela, fruto de um soco desferido pelo marido. O corte levou mais de 50 pontos. Renata também teve um braço quebrado e um dos joelhos lesionados.



No domingo anterior a data da morte, Uanderson chegou em casa exaltado e bêbado, colocou musica em um volume extremamente alto e o filho, que passava por uma crise de sinusite, pediu ao pai que diminuísse o volume, mas Uanderson, além de ignorar o pedido do filho, pegou o revólver e disse que ia mata-lo.
“Nesse dia ele puxou o gatilho quatro vezes, não chegou a acertar nenhum deles, mas as capsulas, que já foram apresentadas na polícia, ficaram espalhadas pelo chão. Essa era a vida que Renata tinha ao lado de Uanderson”, finalizam
Relembre o caso
O empresário Uanderson Almeida Richene, de 42 anos, foi baleado dentro da casa em que morava no bairro do Marabaixo 4, Zona Oeste de Macapá após chegar na Unidade de Saúde do bairro, foi constatado que a vítima estava sem sinais vitais.
Segundo boletim do Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciodes), a vítima e a esposa discutiam no quarto do casal, quando ocorreu o disparo.
No sábado (13), a esposa, Renata Tourinho, se apresentou espontaneamente na Delegacia de Polícia Civil que investiga o caso.
A mulher foi ouvida pelo delegado responsável pelo caso e indicou que a arma do crime estava dentro do carro dela.
A arma foi apreendida e entregue na delegacia. A polícia agora pretende ouvir outras testemunhas para que o caso seja encerrado. O caso segue em investigação.