Antes, pois, de justificar o acerto das colocações de Ciro Gomes sobre a conjuntura nacional, é preciso dizer porque suas posições políticas não são aceitas pelos políticos e pela massa. Dotado de uma inteligência singular e de uma devoção extremada em estudar economia, política e direito, Ciro Gomes, exatamente por esses dotes positivos, tem resistência em ser aceito pelos políticos e intelectuais, porque não titubeia em ostentar seu conhecimento e reduzir seus adversários a interlocutores meia boca em conhecimento. Assim, sua arrogância intelectual e falta de tolerância com o mundo da mentira política, faz dele um protótipo de antipolítico, que tinha tudo para ser reconhecido como um político contemporâneo genial. Malgrado esses atributos não lhe subtraírem a genialidade lhe arrebatam impiedosamente a aceitação popular, criando uma bolha gigante de rejeição.
Ciro Gomes sustenta que um projeto nacional de desenvolvimento tem como tarefa primária elevar o nível de poupança nacional que, profetiza, é o recurso que promove o desenvolvimento de uma nação e não o recurso que vem de fora, como há trinta nos enganam os neoliberais que nos empurram para cumprir uma cartilha internacional que destrói o país, como é o caso do Consenso de Washington. Segundo ele, capital nacional se constrói desenhando um sistema tributário que seja estimulante, um mercado de capital que seja democratizado e um sistema previdenciário, sob o controle dos trabalhadores, necessariamente público. Depois, leciona, coordenação entre o setor público, privado e a classe trabalhadora, todos empoderados e, finalmente, o investimento em gente, como prefere tratar a classe trabalhadora.
Qualquer pessoa de mediano conhecimento em economia e política sabe que Ciro Gomes tem razão em suas análises conjunturais e nas suas proposições. Não é tarefa para abelhudo contestar suas ideias, porque todas elas vêm lastreadas em estudos profundos e revisados. Essa peculiaridade do político cearense aliada a sua arrogância brutal, lhe tira da possibilidade de figurar como quadro salvador nacional. A brutalidade de sua pedagogia afeta os políticos, intelectuais e o povo que gosta de suas aulas, mas querem distância de sua companhia. Aliás, sua truculência verbal afugenta até os corajosos bolsonaristas que rejeitam um duelo com o troglodita intelectual do Ceará. A última de Ciro foi dizer que “o país jamais dará certo com a anta do Paulo Guedes e o idiota e criminoso do Bolsonaro que consegue, em uma simples operação matemática, (-4 + 5), chegar ao resultado = 9”. Realmente, Ciro tem razão!