Poucos fenômenos políticos do último século deixaram um rastro tão consistente e verificável de destruição institucional quanto o comunismo. Não se trata apenas de uma doutrina econômica malsucedida ou de uma utopia mal implementada. Trata-se de uma patologia ideológica, uma doença de concepção que, ao ser aplicada, inevitavelmente compromete o organismo social em todas as dimensões, econômica, moral, institucional e psicológica. O comunismo não fracassa porque seus líderes foram incompetentes; ele fracassa porque seus mecanismos internos tornam o fracasso inevitável.
Para compreender essa patologia, é preciso regressar ao seu ponto de partida, a promessa de redenção histórica. Marx e Engels concebem a história humana como um processo mecânico de “luta de classes”; os indivíduos, para eles, são apenas portadores de interesses materiais que se chocam até que a síntese final, a sociedade comunista, dissolva a exploração e restaure uma suposta igualdade estrutural. A teoria, por si, já denuncia um problema, qual seja, a desumanização do indivíduo, substituído por uma engrenagem abstrata num suposto motor histórico. Toda ideologia que retira do indivíduo sua agência moral para entregá-la a um projeto inevitável anuncia, desde já, que está disposta a sacrificar gente real por fantasias teóricas.
Assim nasce a primeira patologia: a da gênese inevitável. Se o comunismo é a conclusão natural da história, qualquer obstáculo que o impeça torna-se, por definição, um inimigo. E inimigos históricos não são adversários, são obstáculos. Obstáculos não se convence, eliminam-se. Daí a gênese lógica (não contingente!) da opressão.
- A Patologia da Verdade Única
Toda ideologia que afirma ter descoberto o “sentido da história” inevitavelmente transforma discordâncias em heresias. Marx foi explícito, sua teoria não era uma interpretação entre tantas, mas a ciência da história. Quando uma teoria política se declara ciência, ela não mais dialoga, ela prescreve!
O comunismo, ao assumir esse papel de ciência infalível da realidade social, instala seu primeiro mecanismo patológico, começando pela, eliminação da pluralidade de ideias, substituída pela autoridade da doutrina; passando pela criminalização da divergência, vista como sabotagem à marcha histórica e; por fim, a sacralização do Partido, que passa a deter o monopólio moral.
Daí não surpreende que todos os regimes comunistas — sem exceção — se transformem em ditaduras de partido único. Essa não é uma distorção do comunismo; é sua consequência natural. A verdade única precisa de um guardião único.
- A Patologia Econômica
A economia comunista parte da ideia de que a propriedade privada é o mal primordial. Em vez de aperfeiçoar o mercado, o comunismo o extingue, acreditando que uma sociedade pode operar sem os mecanismos espontâneos de preço, demanda, oferta e cálculo racional.
Já tive a oportunidade noutro momento, de escreve um texto especifico sobre Ludwig von Mises, no qual já havia demonstrado o problema estrutural sobre as ideias comunistas, pois sem propriedade privada e mercado livre, não há cálculo econômico racional. Quando o Estado assume tudo, ele tem que decidir tudo, ou seja, quanto produzir, onde produzir, para quem produzir. E, naturalmente, erra tudo.
Neste caso, não se trata de incompetência dos planejadores, mas da impossibilidade matemática e informacional do planejamento central.
Por isso, todos os países comunistas acabaram em colapso econômico, em desabastecimento, ou em economias paralelas ilegais, sustentados por repressão e vigilância.
O comunismo não cria prosperidade, cria escassez administrada.
- A Patologia Moral: o Fim Justifica os Meios
O comunismo precisa de um “homem novo”, já que o homem real rejeita o coletivismo radical. Portanto, a sociedade deve ser regenerada. Esse é o terreno mais perigoso da doutrina.
A moral marxista não é ética, é mecânica, em que, ações são julgadas não pelo critério moral tradicional, mas por sua “utilidade histórica”. Se algo contribui para acelerar a revolução, é moral. Se atrapalha, é imoral.
A consequência, não poderia ser outra, se não, o indivíduo perde o seu valor intrínseco e passa a valer apenas por sua utilidade ao projeto coletivo.
Daí surgem os expurgos, os paredões, os exílios, os campos de reeducação, os gulags. Todas essas atrocidades não são “acidentes da revolução”, são instrumentos intrínsecos de um sistema que necessita destruir o que ele mesmo define como “cultura burguesa” e “mentalidade capitalista”.
- A Patologia da Inimização Permanente
Nenhum regime comunista sobrevive sem criar um inimigo constante. Interno ou externo, real ou imaginário, esse inimigo é necessário para justificar os fracassos do sistema e manter o Partido como salvador. A Economia falha? Culpem os sabotadores. A liberdade desaparece? Culpa dos imperialistas. O alimento falta? Culpa dos agricultores “kulaks”, “burgueses”, “contrarrevolucionários”.
A patologia se torna um ciclo vicioso, sendo definida como: O sistema fracassa. O Partido aponta um inimigo. O inimigo é eliminado. O sistema fracassa de novo. Surge um novo inimigo. E assim por diante. Esse mecanismo mantém o regime vivo e a sociedade aterrorizada.
O comunismo transforma o cidadão em delator, o vizinho em suspeito, o parente em risco ideológico. Isso não é exceção, é característica. A história se repetiu todas as vezes.
- A Patologia da Igualdade Forçada
Marx prometeu igualdade entre todos. A história entregou o contrário. Na prática, o comunismo cria uma nova aristocracia, formada pela classe burocrática do Partido.
Enquanto a população enfrenta filas, carências e vigilância, os altos membros do Partido vivem em abundância, privilégios e imunidade moral. A igualdade pregada é uma máscara; a desigualdade praticada é estrutural.
A igualização forçada destrói incentivos, talentos e méritos; ao final, a sociedade inteira se nivela, não por cima, mas pelo ponto mais baixo. A escassez se torna universal e o privilégio se torna estatal.
- A Patologia da Utopia Permanente
Nenhum regime comunista admite seus próprios fracassos. Quando confrontado com a realidade, ele se refugia numa utopia sempre futura: “O problema não foi o comunismo. Foram os líderes.” “Não chegou o momento histórico.” “Faltou consciência de classe.” “Foi sabotagem externa.”
Esse escapismo permanente impede qualquer autocrítica. A utopia é eternamente adiada, mas sempre defendida. O paraíso nunca chega, mas o preço para alcançá-lo é pago todos os dias pelo cidadão comum.
Assim, o comunismo se torna uma máquina de sofrimento perpétuo movida pela promessa do amanhã.
- O Comunismo Como Doença Social Autorreplicante
A patologia comunista é, essencialmente, uma doença reproduzível: destrói o indivíduo; enfraquece a economia; substitui moral por ideologia; cria inimigos eternos; constrói uma nova aristocracia; e justifica tudo com uma utopia inalcançável.
Esse conjunto de mecanismos produz uma sociedade com baixa iniciativa, alta dependência estatal, medo constante, vigilância mútua, empobrecimento material, e militância ideológica agressiva. O comunismo não precisa de um ditador para ser autoritário. Ele já é autoritário em sua essência.
- A Grande Ironia
A maior ironia é que o comunismo se apresenta como libertador, mas só funciona através de mecanismos de coerção. Ele promete o fim da exploração, mas cria a maior máquina de opressão já documentada. Promete igualdade, mas instaura uma casta privilegiada. Promete abundância, mas produz fome. Promete paz, mas vive de inimigos. O comunismo não falhou por erros humanos; ele falhou por desenho.
Mais do que uma doutrina econômica, o comunismo é um fenômeno psicológico e sociológico que seduz justamente por prometer aquilo que nenhuma sociedade pode fornecer: igualdade absoluta, justiça total, segurança plena, conflito zero. Seu erro está no ponto de partida, acreditar que é possível reorganizar a natureza humana. E sua violência está no ponto de chegada, punir quem não se encaixa nessa reorganização.
Olhar para a história do comunismo não é revisitar um debate ideológico antigo — é compreender um alerta permanente. Toda vez que uma sociedade troca liberdade por promessas de igualdade absoluta, troca responsabilidade pessoal por tutela estatal, ou troca pluralidade por uma suposta verdade histórica única, ela começa a cultivar os sintomas dessa mesma patologia.
Por isso, compreender o comunismo é, antes de tudo, vacinar-se contra ele. Eis a nossa missão, impedir o avanço dessas ideias no nosso País. Desperta Brasil!

