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A Gazeta do Amapá > Blog > Colunista > José Altino > A sentença de Rockfeller
José Altino

A sentença de Rockfeller

José Altino
Ultima atualização: 27 de junho de 2026 às 21:41
Por José Altino 8 horas atrás
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Ao que lembro, desde bons tempos, causava contentamento a chamada a espetáculos circenses, a comícios, coretos em praças, assim como bandas de música, anunciando suas presenças. Isso num simples megafone, nada de estéreos.
Se em circos, o mais importante ao eu menino, era ver iniciado no picadeiro, seguido ao falador, o palhaço, alguns sem graça e ridículos, outros “inté” razoáveis. Depois, toda “bandalha” de tudo e a tudo que haveria de acontecer e alegrar a noite. Aliás, note-se que àquela época, até as roupas das moças do show eram bem mais comedidas.
Porém na ocasião, no despertar das atrações o “trem” era bom e talvez por isso, melhor que um caminhão da Melhoral que vez por outra aparecia a exibir filmes em praça pública.
Tudo, porém, era busca de alegria pura e sadia, por isso até o Vigário tinha seu camarote e lugares de honra reservados. Nem piada de mau gosto ou conduta indecente havia.
Tempinho após, apareceram conquistando multidões os hoje tão famosos rodeios, do judia bois e cavalos lançando peões ao alto.
Também a todos seus começos apareciam figuras marcantes de apresentadores e/ou locutores de pista. E aí o cara tem que ser bom mesmo, porque o dinheiro envolvido já é muito alto. Tem que fazer com que merecer ainda mais que servem de professores a politicos.
Em pausa para recordações, recordo que para a festa pela primeira núpcia, fizemos na fazenda um rodeio. Bem mais pobre que os atuais, bota pobre nisso, mas sem nenhum profissionalismo e sequer havendo os costumeiros anunciadores.
Era mesmo para noivo e noiva montarem em bois e em um mais idoso burro que tínhamos lá, que não amansava de jeito nenhum. Havia um vaqueiro de apelido Lamparina, que começou a segurar muito e gritar vantagens em cima do Sabonete, esse seu nome, o danado virou o pescoço para traz e o pegando pelos dentes na perna sentou o Lamparina ao chão, mordendo toda sua bunda e apagando seu fogo.
Quanto a mim e a amada de então, fomos lançados por cima da cerca, sem machucados. Isso só o tempo, 20 anos depois, haveria de fazer conosco e sem necessidade de nenhuma outra montaria, apenas desapeamos da mesma vida e seguimos trilhas diferentes.
O notável e interessante naquelas eras passadas, era que embora já existissem certos trovões e relâmpagos de violências, mesmo bastantes desorganizados, existia certa honradez entre criminosos. Muito comum se ouvir, que ladrão não roubava ladrão. Ou então, os próprios políticos dizerem, “vamos enfiar as mãos nos sacos, mas com dignidade.”
Quanto aos bens públicos, o respeito e seriedade era bem cultuado principalmente àqueles ungidos à administração e vida pública.
Maioria criada em esferas familiares, onde muitos avós se chamavam de senhor e senhora. E aí do filho que ao chamado deles respondesse “qui é”, chinelo marcava a bunda.
Mas, era muito gostoso viver naqueles tempos e ter vindo a vida para neles estar presente. Isto, apesar que aos nove anos, mãe tacou-me num internato mais longe que o logo ali dos ditos mineiros.
Nenhum meio de comunicação, sem telefones, sem estradas asfaltadas, correios de no mínimo quinze dias. Pois fui para lá e sozinho.
Mãe entregou me a uma aeromoça duma tal de Nacional Linhas Aéreas, cujos aviões eram velhos DC-3 da segunda guerra e se bem me lembro a dona já era feia e como pegamos mau tempo, na chegada estava mais feia ainda.
Rio de Janeiro, aeroporto Santos Dumond, doida para ficar livre do incomodo, que por acaso era eu, a feiosa apontando o dedo, mandou-me reto a sala de desembarque, dizendo que um conhecido me aguardava.
Pensei que o indicado, me levaria a tal de Nova Friburgo, que nem nova era, sendo até mais velha que minha Figueira do Rio Doce, (Governador Valadares). Conversa…
Atravessada as barcas e de Cantareira, já numa rodoviária da também feia Niterói, apontou-me um ônibus de uma tal 1001 e rindo como uma hiena disse, “daqui a frente você está com Deus”. Intimamente, xinguei ele todo, mas ele não ficou sabendo.
E foi assim…
Adentrei em espaço inteiramente novo.
Meus pais, bastante ensinaram na criação, principalmente a ser homem e ter respeito aos outros. No percurso de infância sempre diziam, “o que não se aprende em casa o mundo lá fora ensina de forma dura e sofrida”.
Mal sabia eu, que o tal mundo la fora, se juntaria a uma desconhecida, para mim, Fundação Getúlio Vargas, que procedia experiencia educacional aos moldes do inglês Eton College. Um pouco soberba, a Fundação dizia que era o melhor educandário da América Latina. O pior, a ajudar a bazófia, que era…
Outra vida…apesar de tantas saudades até dos bichos preguiças que viviam em jardins de minha cidade. Aos que admirava, apesar da lentidão e letargias vividas.
Mas, foi aí que melhor sedimentei os princípios da honradez ensinada por meus pais e bastante conservar a melhor valia das verdades que é a razão.
Também lá muito aprendi, nunca submeter aos mais fracos ou sojigar aos mais carentes em proveito próprio.
Também foi lá, assistindo com curiosidade juvenil a tantas disputas políticas de trabalhadores do Brasil, Brigadeiros, desta vez vamos, cristianização, que aprendi a necessidade haver existir seriedade de propósitos quanto a Nação.
Me parece que não havia muitas promessas vãs e sequer o pecado de compra de vontades para as urnas, hoje o maior câncer na política nacional. Como também era notório que não se as comprava vantagens ou bens públicos através de cargos ou usufruto de poderes.
Seguia até bem em meus, antes obrigatórios desígnios, mas que nos instantes me provocavam muito orgulho pela vida e “ordem” materna pela oportunidade de participação em estudos de tão alto nível. Até que…
Chega ao Rio, em visita, um magnata do mais alto escalão capitalista norte-americano.
Sendo eu afilhado de político mineiro dos mais importantes na vida nacional, mais tarde até ministro do Supremo Tribunal Federal, órgão que a época todos respeitavam, fui por ele convocado a comparecer, com alunos também de outros educandários, não só para conhecer o bichão, como também aplacar sua curiosidade, uma vez que em minha cidade, do tratamento de águas, o melhor então da América Latina, assim como todo o sistema de saúde da região eram mantidos pela fundação que presidia. Fundação Rockfeller.
Também, não é preciso dizer que tudo a nossa volta era deles. Minas de quartzos, mica (malacacheta) e a reforma da estrada de Ferro Vitória Minas. Um tome la da cá, desde ao esforço de guerra que era deles, a cobra fumou e acabou sendo também nossa.
Foi nos dada a função de fazer perguntas ao homem ainda tão interessado no Brasil. A minha vez, perguntei-lhe que embora herdeiro, ele era tido como um sucesso empresarial e assim sendo que conselho daria a nos jovens para evoluir-nos no Brasil.
Resposta, “entre na política”. Ouvi pasmo. Ao tentar contra-argumentar, meu “Padim” puxou me para traz, o que o gringo notou e insistiu em explicar.
“Vocês latinos são extremamente emotivos e seus representantes serão eleitos pelas comoções e emoções provocadas. Estudantes em formação como vocês terão sempre dificuldades maiores, perante as mães dos representantes, ou seja, as urnas. Países latinos se destroem ao abraçarem o populismo em desfavor dos predicados, assim” …
Nacionalista, ofendido, nem ouvi mais nada. Mas, para dizer a verdade, hoje, nem queria ter vivido tanto para não ter que dar razão àquele gringo, outrora filho da puta, em meus pensamentos.
Porém, daquele momento a frente, o menino tornou-se homem…

Belo Horizonte/Macapá 28/06/2026

Jose Altino Machado

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