Adélia Prado, a poetisa mineira, bem brasileira,
a poetisa do cotidiano, como dizem,
recebeu o Prêmio Camões 2024,
neste 19 de fevereiro de 2025.
Em Brasília. Emblemático ou sintomático?
“A poesia nos salvará”.
Nos salvará? Talvez.
Porque poetar é minerar com o coração, músculos e cérebro
o que há de humanidade nos sulcos profundos, bem profundos,
do “homo sapiens”.
Nos poemas bordejam cinestesias…
Via expressa para a consciência da radical florescência
da sensorial existência de múltiplas ramagens
espalhando imagens, sabores, sons, encantamentos,
passos e ecos próximos e distantes.
Adélia Prado, e tantos outros poetas,
não precisou tomar posse de povos e continentes,
aprisioná-los em correntes de submissão
para encontrar o seu chão.
O mundo foi que saltou em seu colo
nas asas das borboletas,
nos sabores das cozinhas, nas cidades interioranas,
nas memórias da infância…