A eleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para a presidência do Senado, no penúltimo sábado (1º), foi recebida com entusiasmo por diversos setores políticos e analistas que veem na escolha do senador amapaense uma oportunidade para reduzir a polarização que tem marcado o país nos últimos anos. Com ênfase no diálogo e na conciliação, Alcolumbre destacou que seu objetivo é resgatar o debate sadio no parlamento, colocando um fim na retórica agressiva que tem dominado as casas legislativas. O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu antecessor, afirmou que “a pacificação do ambiente político é essencial para a retomada do crescimento econômico” e disse confiar na capacidade de Alcolumbre para construir pontes entre os poderes.
Para o cientista político José Augusto de Castro, da Universidade de Brasília (UnB), a vitória de Alcolumbre representa “um movimento estratégico para dar maior estabilidade ao governo federal”. Segundo ele, o novo presidente do Senado terá a missão de garantir que o legislativo cumpra seu papel de fiscalização sem comprometer a governabilidade. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), elogiou o perfil conciliador de Alcolumbre e afirmou que a “parceria entre os poderes deve se dar dentro dos limites constitucionais, evitando os impasses que marcaram gestões anteriores”. Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se manifestou com reservas, destacando que a oposição estará atenta a qualquer movimento que enfraqueça o papel do Senado como parte do sistema de freios e contrapesos que visa garantir a separação e o equilíbrio entre os poderes do Estado.
Além do impacto político, a eleição de Alcolumbre coloca o Estado do Amapá em evidência no cenário nacional. O governador Clécio Luís (Solidariedade) celebrou a ascensão do conterrâneo e destacou que essa visibilidade pode impulsionar projetos importantes para a região como a ampliação da infraestrutura e o destravamento da exploração de petróleo na margem equatorial. “Temos um grande potencial para contribuir com a matriz energética nacional e esperamos que o Senado tenha sensibilidade para avançar nesse tema”, declarou o governador. Alcolumbre, por sua vez, garantiu que seu mandato terá um olhar especial para a Amazônia Legal e para a inserção do Amapá em agendas estratégicas de desenvolvimento.
Com um Congresso marcado por embates acirrados e desafios complexos, Davi Alcolumbre assume a presidência do Senado com a promessa de reequilibrar as relações institucionais e retomar o foco na produção legislativa. A expectativa é que seu perfil pragmático contribua para diminuir as tensões entre os poderes e crie um ambiente mais propício para a aprovação de reformas estruturais. Analistas ressaltam, no entanto, que a conciliação não significa submissão, e que caberá ao Senado manter sua independência, garantindo que as decisões do Executivo sejam submetidas ao devido escrutínio. Resta agora acompanhar como Alcolumbre conduzirá sua gestão diante das demandas e pressões políticas que certamente virão.
Davi Alcolumbre e o novo momento do Senado: conciliação e desenvolvimento
