Doenças reumáticas afetam crianças, além de adultos e idosos. Em 18 de
março, celebrou-se o Dia Mundial das Doenças Reumáticas em Crianças e
Jovens. Estima-se que entre 6 e 7 milhões de crianças no mundo sofra dessas
doenças, mas esse número pode ser maior devido à falta de diagnóstico,
recursos, especialistas ou dificuldade em reconhecer esses distúrbios na
infância.
A Sociedade Brasileira de Reumatologia e a Sociedade Amapaense de
Reumatologia trabalham para desmentir a crença de que as doenças
reumáticas são exclusivas de adultos e idosos. Essa ideia é comum entre
pacientes e muitos profissionais de saúde que desconhecem a gravidade
dessas doenças em crianças. Se uma criança tiver dor persistente nas
articulações, inchaço, dores no corpo ou dificuldade para andar pela manhã, a
família deve investigar a causa.
A artrite idiopática juvenil, o lúpus eritematoso sistêmico juvenil e outras doenças
inflamatórias variam em apresentação: algumas se desenvolvem lentamente
com poucos sintomas, enquanto outras surgem rapidamente e são
incapacitantes. Febre e alterações nos exames de laboratório são comuns, mas
podem não estar presentes no início dessas doenças.
A leucemia linfocítica aguda, um dos cânceres hematológicos mais
comuns, muitas vezes simula doenças reumáticas como a artrite idiopática
juvenil, causando dor articular e febre.
As dores benignas da infância são comuns e não graves, mas precisam de
diagnóstico correto. A dor do crescimento, por exemplo, surge à tarde ou à noite
e desaparece no dia seguinte. Apesar de geralmente ser leve, pode causar
sofrimento físico e psicológico quando intensa e duradoura.
A síndrome de hipermobilidade ocorre quando as articulações têm uma
amplitude de movimento maior, geralmente sem outra doença associada.
A fibromialgia juvenil ocorre principalmente em meninas entre 9 e 15 anos.
Caracteriza-se por dor crônica generalizada, distúrbios do sono, fadiga diurna
e alterações no humor.
A febre reumática é uma doença autoimune infantil, menos comum hoje.
Pediatras e médicos de família devem estar alertas, pois causa inflamação nas
articulações, sopro cardíaco e, às vezes, movimentos involuntários (coreia). Se
não diagnosticada e tratada, pode levar à insuficiência cardíaca. Muitas
cirurgias cardíacas em adultos são consequências da febre reumática na
infância.
Quando encaminhada precocemente ao reumatologista pediátrico, a criança
com reumatismo pode ser diagnosticada e tratada corretamente. Isso previne
deformidades na artrite idiopática juvenil e lesões graves em órgãos internos
no lúpus eritematoso sistêmico juvenil. Em casos de doenças não
inflamatórias, os pais recebem orientação sobre dores benignas da infância,
e as crianças são frequentemente direcionadas para fisioterapia e exercícios.
O serviço de reumatologia do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima, parte do
Sistema Único de Saúde do Amapá, oferece um ambulatório pediátrico para
diagnóstico e tratamento de doenças reumáticas infantis. Medicamentos para
doenças inflamatórias são fornecidos pela farmácia de medicamentos
especiais através de convênio entre o Ministério da Saúde e o governo do
Amapá.
Dr. Marco Tulio Franco CRM 994 RQEs 204/521 é médico reumatologista e reumatologista pediátrico