Nas grandes mídias o pau que bate em Francisco não bate em Chico.
As grandes mídias, sejam as nacionais ou internacionais, me causam grande perplexidade quando percebo, e me espanto, que são tendenciosas e escolhem um lado para noticiar. Sou de uma época que as grandes mídias e seus jornalistas informavam tudo o que se passava no Brasil e no mundo. Informavam os fatos e as opiniões eram divulgadas em espaço de opiniões. Na época no editorial você podia ler as opiniões dos veículos e nas colunas de opiniões você tomava conhecimento do que pensavam os jornalistas. Hoje as grandes mídias não divulgam somente os fatos, as matérias já vem eivadas de opiniões, tirando do leitor a análise pessoal dos fatos.
Porque intitulei o artigo desta forma e o subtítulo faz a afirmação que faz? A resposta, para mim é simples, tenho acompanhado na mídia a saída de emigrantes de seus países de origem e o comportamento dos países em relação aos imigrantes. Tomei como exemplo dois países: os EUA e o Irã. Nos EUA o comportamento das autoridades que controlam a imigração agem com normas rígidas envolvendo vários critérios culminando com deportações. No Irã a única norma em relação aos imigrantes, são o fato de serem afegãos.
As grandes mídias fazem o maior escândalo sobre o processo nos EUA e as notícias sobre o que ocorre no Irã, apesar de haverem sido expulsos quase 700.000 afegãos, geram pequenas notícias sem grande alarde. O ponto é que as agências humanitárias afirmam que acusações feitas por autoridades iranianas de que cidadãos afegãos estavam espionando para Israel. Pois é pasmem os senhores.
Para se ter a visão real dos fatos é preciso usar sites veiculado na internet, como é o caso da Reuters que publicou sobre as deportações de afegãos do Irã, em 7 de agosto de 2025, a matéria “De volta e cambaleando: afegãos expulsos do Irã lutam para recomeçar”, assinada por Mohammad Yunus Yawar, que transcrevo trechos.
“Habiba, uma mulher afegã que fugiu do regime do Talibã para fazer mestrado em engenharia no Irã, foi deportada em julho, pouco antes de concluir seus estudos. A mulher de 31 anos, que se recusou a revelar seu sobrenome por medo de repercussões, disse que retornou à sua terra natal com pouco mais do que seu laptop e documentos, os últimos vestígios de um futuro que ela quase garantiu.
Agências humanitárias afirmam que acusações feitas por autoridades iranianas de que cidadãos afegãos estavam espionando para Israel desencadearam um aumento nas deportações, com o ACNUR, agência da ONU para refugiados, relatando quase 700.000 afegãos expulsos do Irã desde o início de junho. Os dois países compartilham uma fronteira terrestre de 920 km (550 milhas) em uma paisagem plana e árida.
A mídia local citou Nader Yarahmadi, assessor do Ministério do Interior do Irã e chefe do Centro de Assuntos de Estrangeiros e Imigrantes, afirmando que os cartões temporários de censo de cerca de 2 milhões de cidadãos afegãos foram invalidados a partir de março e que eles tinham até julho para sair. Outros 2,1 milhões de afegãos no Irã não tinham documentos, afirmou.
O número de afegãos que retornaram disparou após uma guerra de 12 dias entre Israel e Irã em junho. O ACNUR estima que o Irã deportou uma média de mais de 30.000 afegãos por dia durante a guerra, um aumento de 15 vezes em relação aos cerca de 2.000 anteriores. Mas autoridades iranianas minimizaram as alegações de espionagem, classificando-as como relatos isolados da mídia. A repressão é contra imigrantes ilegais, disse Yarahmadi.
A Reuters entrevistou 26 afegãos que haviam retornado recentemente do Irã, muitos dos quais descreveram ter voltado para um país que agora parece desconhecido e inabitável. A maioria negou ser imigrante ilegal no Irã e afirmou possuir algum tipo de documentação.
Rahela, de 37 anos, disse que construiu um meio de vida estável em Teerã como maquiadora e costureira certificada. Agora, de volta à cidade afegã de Herat com suas duas filhas, ela diz não ver futuro. Ela diz que se separou do marido há vários anos, depois que ele lutou contra o vício em drogas, e desde então cria as filhas sozinha. As restrições do Talibã impedem as mulheres de exercer a maioria das formas de emprego e de viajar longas distâncias sem um tutor homem.
‘Não tenho ajudante nem guardião masculino (mahram)’, disse ela. Seu pai, embora mahram, é idoso e não pode acompanhá-la ou oferecer apoio, deixando-a praticamente confinada, disse ela. A onda de refugiados que retornam do Irã e do Paquistão para o Afeganistão está prejudicando a ajuda em um país que já enfrenta o colapso econômico, a fadiga dos doadores e a proibição do ensino médio para meninas.
Mas foi o expurgo pós-conflito do Irã que sobrecarregou as autoridades afegãs e os trabalhadores humanitários, muitos dos quais disseram não estar preparados para a escala e a velocidade das deportações. O governo liderado pelo Talibã pediu ao Irã que proceda gradualmente e dê tempo aos retornados para resolver questões financeiras e recuperar bens pessoais. Enquanto as mulheres que retornaram falaram de direitos e oportunidades perdidos, os homens afegãos descreveram famílias separadas, planos descarrilados e um futuro incerto.
Mansoor Ahmad, 21 anos, um metalúrgico de Cabul, disse que foi preso no trabalho e deportado sem sua família. Ele disse que oficiais iranianos o acusaram de ajudar alguém a escapar de um campo de deportação e o espancaram quando ele negou. ‘Quando eu falava, eles me batiam. Quando eu ficava em silêncio, eles me batiam de novo’, disse ele. ‘Depois me colocaram na solitária.’ Marcas vermelhas e hematomas eram visíveis em suas costas e ombros, sinais de que ele havia sido atingido ou chutado.
Autoridades iranianas negam abusos sistêmicos. O encarregado de negócios iraniano em Cabul, Alireza Bigdeli, afirmou não haver relatos oficiais de maus-tratos, mas reconheceu que ‘alguns podem estar insatisfeitos com a forma como foram tratados, detidos ou devolvidos’. As autoridades iranianas afirmam ter tentado evitar separações familiares, mas admitem que a correria do pós-guerra dividiu algumas famílias. Os estudantes foram incentivados a partir com parentes por meio de um plano de retorno voluntário.
Embora muitos afegãos dissessem que a vida no Irã era difícil, marcada por discriminação, altos custos e uma constante sensação de não serem bem-vindos, eles ainda tinham objetivos. Alguns trabalhavam, outros estudavam.
‘A situação no Irã era muito difícil’, disse Rahela. ‘As pessoas nos tratavam com dureza. Nos humilhavam e insultavam. Mas pelo menos havia segurança e trabalho. As mulheres podiam trabalhar… e isso era bom para nós.”
Depois de lida a matéria assinada por Mohammad Yunus Yawar o leitor percebeu porque o título deste artigo é “dois pesos e duas medidas’ no comportamento das grandes mídias? Por acaso já tinha conhecimento do assunto veiculado pelas grandes mídias?
Conhecimento é poder e as grandes mídias o detém e não fazem questão de dividi-lo. O conhecimento nas mãos do povo é extremamente perigoso, pois, reage aos abusos dos governantes. Esta atitude não é cumplicidade? – Anônimo.