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A Gazeta do Amapá > Blog > Colunista > Marco Túlio > ERROS MÉDICOS, DIPLOMAS FRÁGEIS E A URGÊNCIA DE AVALIAR QUEM FORMA MÉDICOS NO BRASIL
Marco Túlio

ERROS MÉDICOS, DIPLOMAS FRÁGEIS E A URGÊNCIA DE AVALIAR QUEM FORMA MÉDICOS NO BRASIL

Marco Túlio
Ultima atualização: 24 de janeiro de 2026 às 16:16
Por Marco Túlio 4 horas atrás
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O Brasil vive um crescimento preocupante dos erros médicos e dos processos judiciais envolvendo profissionais da saúde. A pergunta é inevitável: o que está acontecendo com a medicina brasileira? A resposta não está apenas na prática profissional, mas começa ainda na formação médica.
Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o número de ações judiciais por erro médico cresceu mais de 500% entre 2023 e 2024, ultrapassando 74 mil processos. Esse aumento não pode ser explicado apenas pela judicialização da saúde. Ele revela um problema estrutural, diretamente ligado à qualidade do ensino médico.
MAIS DE 30% DOS NOVOS MÉDICOS SE FORMAM EM CURSOS CONSIDERADOS INSUFICIENTES PELO PRÓPRIO MEC.
Esse diagnóstico foi escancarado pelo Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), aplicado pelo Ministério da Educação. Dos mais de 39 mil estudantes concluintes avaliados em 2025, cerca de 14 mil — quase três em cada dez — estão se formando em cursos que receberam conceitos 1 e 2, considerados insuficientes pela metodologia oficial do próprio MEC. Na prática, isso significa que milhares de médicos ingressarão no mercado sem competências mínimas para exercer a profissão com segurança.
O cenário se agrava quando se analisa o perfil dessas instituições. A maioria dos cursos com desempenho crítico pertence ao setor privado. São faculdades instaladas, muitas vezes, em cidades sem hospitais de ensino, com redes de saúde precárias, mas que cobram mensalidades elevadíssimas, transformando a formação médica em um produto caro e de baixa qualidade.
Além do prejuízo técnico, há um grave impacto social e econômico. Essas faculdades de baixa qualidade praticamente enganam famílias inteiras, vendendo a promessa de ascensão social por meio de um curso caro, sem oferecer a estrutura necessária para formar um bom médico. O resultado é o endividamento prolongado das famílias e do médico recém-formado, que sai da faculdade com dívidas altas, formação deficiente e enorme pressão para atuar em um sistema já sobrecarregado.
Nesse modelo, todos perdem: perde a família, que investiu recursos e expectativas; perde o jovem médico, lançado ao mercado sem preparo adequado; perde o sistema de saúde; e, principalmente, perde a sociedade, que passa a ser atendida por profissionais formados em condições inadequadas. O aspecto mais grave é que esse ciclo coloca vidas humanas em risco.
Diante desse quadro, o Conselho Federal de Medicina e as entidades médicas têm sido firmes: é preciso frear a abertura indiscriminada de cursos, fechar vagas e faculdades com conceitos 1 e 2 e exigir que todos os cursos de Medicina em funcionamento no país tenham, no mínimo, nota 4.
Essa lógica de avaliação rigorosa deve valer para todos. O Revalida, que avalia médicos formados no exterior, é uma ferramenta essencial de proteção à população e não pode ser flexibilizado. O exame precisa ser realizado de forma organizada, regular e anual.
AVALIAR MÉDICOS NÃO É PUNIR PROFISSIONAIS — É PROTEGER PACIENTES.
Da mesma forma, os médicos formados no Brasil também precisam ser avaliados. A sociedade tem o direito de saber que todo profissional autorizado a exercer a medicina possui formação compatível com a responsabilidade de cuidar de vidas.
Em meio a um cenário nacional preocupante, o Amapá mostra que é possível fazer diferente. O curso de Medicina da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) obteve nota 4 no Enamed, demonstrando que é plenamente possível formar bons médicos na Amazônia, com seriedade, estrutura e compromisso social. O Conselho Regional de Medicina do Amapá publicou notas públicas elogiando o desempenho do curso.
Atualmente, o estado já conta também com um curso privado de Medicina em funcionamento, o que torna desnecessária a abertura de novas faculdades. O Amapá não precisa de mais cursos. Precisa de cursos bons, responsáveis e comprometidos com a saúde da população.
O crescimento dos erros médicos não pode ser atribuído exclusivamente ao profissional recém-formado. O verdadeiro problema está em um modelo que permitiu a mercantilização do ensino médico, sem controle rigoroso de qualidade. Defender avaliação séria, Revalida forte e fechamento de cursos ruins não é corporativismo. É responsabilidade ética, sanitária e social.
A segurança do paciente começa na sala de aula

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Marco Túlio 24 de janeiro de 2026 24 de janeiro de 2026
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