Venho escrevendo há tempos contra o terrorismo climático que pretende nos levar de volta ao século XVIII. Forças poderosas querem impedir o novo salto evolutivo da humanidade iniciado no século passado por motivos puramente egoísticos – a manutenção do poder. Não estou sozinho no que chamo ‘a cruzada contra o terrorismo climático’, dezenas de articulistas internacionais e cientistas não vinculados à desmoralizada ONU que abandonou o objetivo para a qual foi criada (a manutenção da paz entre as nações) e enveredou pelas questões climáticas enquanto no mundo as guerras entre as nações surgem a cada momento.
Mas surge uma luz no final do túnel, os EUA considerado o último bastião da cultura ocidental. O site POLITICO publicou a matéria, em 27/01/2026, “Adeus, Paris: EUA abandonam oficialmente pacto climático histórico”, assinado Sara Schonhardt, que nos traz um último alento e transcrevo trechos.
“Os Estados Unidos saíram oficialmente do Acordo de Paris, tornando-se o único país a abandonar o histórico pacto climático — duas vezes. A decisão de abandonar o acordo, iniciada pelo presidente Donald Trump exatamente um ano atrás, entra em vigor nesta terça-feira. Trump anunciou a saída em 20 de janeiro de 2025, seu primeiro dia no cargo, seguida por uma declaração escrita uma semana depois às Nações Unidas, que confirmou por escrito que a participação americana no acordo terminaria em 27 de janeiro de 2026.
‘Graças ao Presidente Trump, os EUA escaparam oficialmente do Acordo de Paris sobre o Clima, que minou os valores e prioridades americanos, desperdiçou o dinheiro suado dos contribuintes e sufocou o crescimento econômico’, disse a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, em um e-mail. ‘Esta é mais uma vitória do bom senso e do ‘América Primeiro’ para o povo americano!’
A saída formal ocorre em um momento em que Trump isolou os EUA em relação à política climática, criticando outros países por investirem em energia renovável, ameaçando impor tarifas a nações que apoiassem um imposto sobre carbono no transporte marítimo e cancelando a ajuda internacional que seria usada por países mais pobres para se protegerem da elevação do nível do mar e outros riscos. Isso também torna os EUA um dos poucos países do mundo sem uma meta para reduzir sua poluição climática.
Trump também está orquestrando uma retirada da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o tratado de 1992 que deu origem ao Acordo de Paris e serve como base global para lidar com o aumento das temperaturas. ‘O que estou sentindo e vendo é o mundo seguindo em frente sem nós’, disse Frances Colón, pesquisadora sênior de política climática internacional no Center for American Progress, um think tank de esquerda.
Mesmo antes da saída do Acordo de Paris se tornar oficial, o governo Trump já havia praticamente abandonado o processo climático. O Secretário de Estado Marco Rubio fechou o escritório de clima do Departamento de Estado que supervisionava as negociações internacionais e demitiu seus especialistas. A EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) reteve dados sobre as emissões climáticas americanas da ONU pela primeira vez na história e está em processo de encerramento de seu programa de relatórios de gases de efeito estufa. A agência também está se preparando para revogar a declaração de risco ambiental, uma determinação científica de 2009 que conferiu à EPA a autoridade para regulamentar as emissões de gases de efeito estufa.
Saída de Paris, segunda tentativa
O Acordo de Paris visa limitar o aumento da temperatura global a ‘bem abaixo’ de 2 graus Celsius desde a Revolução Industrial. Até agora, o aumento foi de 1,4 graus. Trata-se de um pacto vinculativo que exige que todos os países signatários — independentemente de sua riqueza ou nível de poluição — estabeleçam metas cada vez mais ambiciosas para a redução de suas emissões de gases de efeito estufa. Não os obriga a cumprir essas metas. O pacto também convoca as nações mais ricas a ‘tomarem a iniciativa’ e a fornecerem financiamento aos países em desenvolvimento.
Esta é a segunda vez que Trump retira os EUA do Acordo de Paris. Seu primeiro anúncio ocorreu durante uma cerimônia no Jardim das Rosas em junho de 2017, onde ele disse, em seu característico estilo ‘América Primeiro’, que era hora de colocar Pittsburgh acima de Paris. Mas, devido aos termos do acordo, que entrou em vigor em 4 de novembro de 2016, o governo americano levou mais dois anos para notificar formalmente as Nações Unidas sobre a saída dos EUA. A saída oficial ocorreu em 4 de novembro de 2020, um dia após a eleição de Joe Biden para presidente.
Biden retornou ao Acordo de Paris com uma canetada no dia de sua posse, em janeiro de 2021, provocando uma reação negativa de alguns conservadores que argumentaram que o Senado deveria ter dado seu consentimento para a entrada no acordo, como faz com tratados internacionais. O presidente Barack Obama entrou no Acordo de Paris por meio de uma ação executiva, sem a aprovação do Senado.
Em 2017, a decisão de Trump de se retirar do acordo gerou temores de que outros países pudessem seguir o mesmo caminho. Isso não aconteceu. Seus ataques atuais à ação climática e à cooperação internacional foram recebidos, em grande parte, com silêncio, e suas ameaças de usar tarifas e outras retaliações levaram alguns países a enfraquecer suas medidas climáticas.
O próximo tratado do qual Trump planeja se retirar — a UNFCCC — também prevê um período de espera de um ano entre o recebimento do pedido formal de retirada pela ONU e a sua saída. Trump anunciou essa medida no início deste mês, e a Casa Branca afirma que o Departamento de Estado está preparando a notificação oficial. No entanto, reingressar nesse tratado pode ser mais difícil para um futuro presidente do que foi para Biden retornar ao Acordo de Paris em 2021, visto que este foi aprovado pelo Senado. A ratificação da UNFCCC é um pré-requisito para participar do Acordo de Paris.
Para alguns conservadores, a esperança é que esta retirada de Paris dure mais tempo do que a primeira vez que Trump esteve no poder. ‘Ele está indo muito mais longe no segundo mandato e tomando medidas muito mais decisivas e ousadas’, disse Myron Ebell, um crítico ferrenho da ciência climática que trabalhou na equipe de transição da EPA durante o primeiro mandato de Trump. “Tenho esperança de que isso seja permanente, mas nada é garantido.”
Creio que a postura americana em relação ao terrorismo climático chega em boa hora para fortalecer ‘a cruzada contra o terrorismo climático’. Não podemos permitir que impeçam a humanidade a dar mais um salto evolutivo, o terrorismo climático já atrapalhou bastante. Todos nós precisamos nos conscientizar disso.
“Estamos mais sujeitos de acabar devido à explosão de uma fenda geológica do que pela queima de todo o combustível fóssil existente no mundo”, Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.
EUA abandonam acordo de Paris. Saída de Paris, segunda tentativa.

