Você sabia que fraturas em idosos são uma causa importante de morte? Após uma fratura, especialmente a fratura de fêmur, o idoso passa a ter um risco significativamente maior de complicações graves e até de morte no período de um ano. Muitas dessas fraturas não acontecem na rua ou em grandes acidentes, mas dentro do próprio domicílio.
Do ponto de vista médico, a osteoporose é um dos principais fatores envolvidos. Trata-se de uma doença silenciosa, caracterizada pela perda de massa e resistência óssea, tornando os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas mesmo após quedas aparentemente simples. No entanto, a osteoporose raramente age sozinha.
Diversas comorbidades aumentam significativamente o risco de quedas e fraturas. Entre elas destaca-se a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular associada ao envelhecimento. Somam-se o uso de múltiplos medicamentos, alterações da pressão arterial (hipertensão ou hipotensão), labirintite, lesões ligamentares dos joelhos, além de distúrbios neurológicos, como antecedente de acidente vascular cerebral (AVC) e a doença de Parkinson. Problemas visuais, como a catarata, também exercem papel importante. Essas condições comprometem o equilíbrio, a marcha, a coordenação motora e a visão, facilitando quedas e aumentando a gravidade das lesões.
A prática de exercício físico desde a juventude, com continuidade na terceira idade, é uma das medidas mais importantes para a prevenção de quedas e fraturas, além de contribuir para melhor recuperação funcional quando cirurgias se tornam necessárias.
É fundamental compreender que quedas não são consequência natural do envelhecimento. Na maioria das vezes, elas resultam da combinação entre alterações físicas do idoso e ambientes mal adaptados. Pisos escorregadios, tapetes soltos, iluminação inadequada, desníveis, escadas sem corrimão e banheiros sem barras de apoio transformam a casa em um local perigoso.
A maioria dos acidentes com idosos ocorre dentro ou no entorno da própria residência, podendo resultar em fraturas, perda de autonomia, hospitalizações prolongadas e até morte. Medidas simples e eficazes reduzem drasticamente esse risco, como manter boa iluminação em todos os ambientes, utilizar pisos antiderrapantes, retirar tapetes soltos, instalar barras de apoio nos banheiros, adequar a altura da cama, garantir iluminação noturna, manter móveis estáveis, corredores livres, corrimãos nas escadas e boa organização em cozinhas e áreas de serviço, além de atenção redobrada com animais domésticos.
Pequenas mudanças no ambiente e nos hábitos reduzem significativamente o risco de quedas, preservando a independência, a segurança e a qualidade de vida do idoso. Essa responsabilidade deve ser compartilhada entre familiares, cuidadores, profissionais de saúde e também arquitetos.
Na Amazônia, e especialmente aqui no Amapá, esse cuidado precisa ser ainda maior. Chuvas frequentes, quintais extensos com solo irregular, áreas externas constantemente molhadas, ruas e calçadas precárias e o uso comum de sandálias de dedo aumentam o risco de quedas antes mesmo de se entrar em casa. Saber adaptar o domicílio à nossa realidade regional reduz acidentes em jovens, adultos e idosos — e, sem dúvida, vidas serão poupadas.
Fratura em idosos: o perigo mora dentro de casa

