Uma teia se conecta em inúmeros fios,
conexões sutis, imperceptíveis, às vezes fatais.
Uma história aflora de inúmeros encontros e desencontros.
Uma trajetória se desenha por caminhos e descaminhos,
configurados ou desconfigurados pelas circunstâncias.
Uma circunstância adversa pode te levar à prisão,
embora tu possas ser um raro ser pensante,
naquele instante de estrangulamento e covardia.
Assim acontecia durante a ditadura – quanta amargura,
a “dita dura” enfrentada pela turma de O PASQUIM.
Jornal satírico criado por mentes privilegiadas,
entre outros JAGUAR, o cartunista da brasilidade,
colaborou na formação do pensamento crítico
de gerações reguladas, sufocadas pelo calar
do que se deve ou não saber ou falar, inclusive eu.
Era sutil ou não, dependia da geografia de suas mãos.
O manto ou tricotado ou bordado, ou costurado foi posto:
GERAÇÕES QUE ABDICARAM DA REFLEXÃO POLÍTICA.
Em uma das esquinas do mundo, Quino, o cartunista,
escreveu no prefácio do livro “Ninguém É Perfeito”,
de Sérgio Guimarães Gomes Jaguaribe – JAGUAR:
“Imperfeitos como Jaguar reconciliam qualquer um
com as imperfeições da vida”.
E ele sobreviveu aos anos de horror.
Enfrentou ao medo e ao ódio com humor.
Sorriu e fez rir enquanto ocorriam cassação de mandatos,
suspensão de direitos políticos, censura da imprensa e das artes
e prisões sem julgamento ou condenação, sr. capitão.
Ouço notícias nefastas.
Aqui?
Não.
No irmão do Norte:
“Em nova ofensiva contra a imprensa,
Trump ameaça cassar licenças de redes de TV” (25.08.25)*
“Pelo mundo, vasto mundo”, parafraseando Drummond,
os insanos se esbaldam, mergulham nos cofres,
e os povos sofrem…
Uma vida se tece de múltiplas vidas.
Uma floresta germina da diversidade de sementes.
Uma essência, em seu precioso frasco,
exala as fragrâncias de múltiplas pétalas.
E em 24.08.2025 ,
o cartunista da lucidez,
disse adeus,
rumou no caminho da bem-aventurança.