A sociedade brasileira deve ter se dado conta do notável e estúpido aumento em repressão ao que eles chamam de garimpo “ilegal” – uma atividade mais que centenária, em aguardo de sua legalização como lavrado em nossa Constituição. Aliás, mais que repressão, a própria divulgação, transmite até prazer, dos “feitos heroicos em seu combate” transformando inclusive narrativas de assassinatos, por agentes do Estado, como se fora legítima defesa.
A Nação em nada muda, mas os homens e muitos que a dirigem têm se permitido acanalhar de maneira desavergonhada.
Estabelecem mesmo a dúvida, se o elenco é administrador ou formador de quadrilha, com visão direcionada apenas ao enriquecimento ilícito.
De volta ao tempo, mas que posso testemunhar, descobriu-se, pela força da garimpagem, no sistema Parima, fronteira com Venezuela, uma das maiores ocorrências de cassiterita com altíssimo teor de estanho. Junto a este minério, boa percentagem de ouro e mais um companheiro inseparável em sua existência, o topázio. Isto, numa época em que a mais alta fidalguia do setor dizia que o planeta só teria este elemento (estanho) para consumo, por mais trinta anos.
Construímos uma pista de pouso, em lugar a que se deu o nome de Surucucu. Um tanto precária, com subida para pouso – descida para decolagens. Quem voa sabe o significado disso.
Entretanto, ainda território federal, sob guarda da briosa Força Aérea Brasileira, seu governador/administrador nomeado, Coronel Ramos Pereira, embora não parecesse, era um tanto “astuto”. Este cidadão ao uso da patente e cargo, entendendo que, como disse, trabalhávamos de forma desorganizada, chamou a todos e pediu uma suspensão de trabalhos, prometendo breve regresso com ajuda estatal de forma mais organizada e legalidade.
Confesso, surpresa grande não foi, tinha mesmo cara de safadão, quando impedindo nosso retorno, fez com que a Companhia Vale do Rio Doce, empresa pública a época, requeresse junto ao órgão competente os direitos de pesquisa e subsequente exploração da área. Simplesmente, na cara dura, passou a outrem uma descoberta de recursos minerais e tanto.
Que se registre, naqueles altos não existiam indígenas, impedimento constitucional a 50km de fronteiras, que nômades, habitavam os interflúvios, Catrimani, Couto Magalhães e Urariquera, bem abaixo e algo distante daquelas serras.
Quatro anos se passaram… 24/08/1984, a empresa desiste da empreitada e apresenta relatório técnico informando ao órgão estatal controlador a inexistência mineral economicamente viável para exploração.
Como herança, deixou, a nossa pista, da qual se apropriara, e um belo acampamento. Com um gravame ao ceder a Funai um bom posto de atração a cuida, segundo diziam, dos senhores indígenas, o que promoveu ao movê-los de suas área originarias de sustento, outra formação de direitos, estabelecendo uma baita confusão; cuja bagunça acontece até os dias de hoje.
Mas, o assunto não é bem este e sim o que veio logo a seguir.
Dias vinte e seis ou vinte sete, daquele mesmo mês e ano requer toda a área, a empresa Delphos Engenharia, tendo como sócios majoritários, o filho do presidente da própria Vale e também o bastante filho de Ministro do governo à ocasião.
A garimpagem comprou a briga e tem se insurgido até os dias presentes, embora tenha ela agora, por empenho dos órgão informativos, a titulagem de bandidos criminosos; isto sem critérios, direitos a defesa, julgamentos ou condenações de justa forma. E na bala…
Outro cenário, Carajás. Direito outorgado a empresa norte americana. Uma baita jazida de muita coisa. Passa por lá em helicóptero da empresa também Vale, um notável geólogo, ainda hoje com pouco reconhecimento. Transportando combustível em vasilhames, pousam para reabastecimento em área possível e limpa, mas o bastante para que aquele técnico de espetacular conhecimento notasse uma extraordinária ocorrência mineral. Bem minerais advindos da magia Divina, inigualáveis recursos naturais.
O que fez com que responsavelmente, o citado geólogo dr. Breno Augusto dos Santos, advertisse ao governo federal de então, a impropriedade em ceder às mãos estrangeiras recurso de tal grandeza. Não, deu outra, no poder brasileiro militares bem nacionalistas, negaram domínio e posse aos estrangeiros, transferindo aquela herança de Deus, à companhia que tínhamos com possibilidade de encarar sua exploração. Se deu corretamente, Vale do Rio Doce outra vez, que vindo, trouxe suas empresas subsidiarias. Uma delas Docegeo.
Só que lá havia uma outra serra e pelada, onde diziam haver ouro. E só também, que a citada empresa filhota Vale, havia entregado oficial relatório de pesquisa dizendo que ouro não havia.
Nem tempinho foi, numa destoca, fazendeiro encontra enormes pepitas de ouro, mais que suficiente que para lá acorressem alguns milhares de garimpeiros.
Ficou complicado e naquela época Justiça era coisa séria; séria não, seríssima. Assim como chumbo trocado não dói respeitaram a ocupação sem possíveis razões de reclamações. Mas, teve um preço e barato…
A garimpagem através de seus representantes políticos no Congresso Nacional, conseguiu numa indenização pela mina de Serra Pelada, aprovar um pacote financeiro equivalente a US$ 50 milhões, para que a Vale indenizasse a empresa americana posta a escanteio. Respeitando o histórico de que ninguém, graciosamente, toma nada deles.
Tudo isso e mais a perder, a velha Vale das Minas Gerais, foi para as cucuias quando um presidente, de sabido passado ideológico como fujão, resolveu, que “nada como Vale do Rio Doce valia nada” e descaradamente vendeu a empresa para coirmãos paulistanos.
Este ano que passou, até a mim pessoalmente, não foi nada legal, muitas perdas de afetos e para atormentar, algo doente olhando ao teto pensando porque acordar. Sem tanto o que fazer, logo eu, que raramente leio o Diário Oficial, cai-me as mãos para leitura, enviado pelo Satanás, o dito do dia 29/12. Aliás, o fui ler sabedor que as maiores safadezas praticadas em poderes o são sempre entre natais e dias de festa como passagens de anos.
A velhacaria em peso adota o sistema de só por a luz indecentes decisões dando legalidades a tomadas e “afanos” da coisa pública, por imaginar que ninguém ou nenhum ser responsável haverá de ler.
Tive a honra e o prazer em conhecer Antônio Ermirio de Morais, quando almejava ser presidente do país. Empresário e correto milionário, ainda tempo encontrava em presidir a Beneficência `Portuguesa e a Cruz Vermelha em São Paulo. Também a um de seus filhos conheci em cidade vizinha a nossa em Minas e jamais me pareceu que nenhum deles, ou empresas haveriam de se prestarem a negócios escusos. Verdade!!
Entretanto na oficialidade publicada, recebida como presente papainoelino, um de seus legado a CBA, Companhia Brasileira de Alumínio, houve por bem em total ilegalidade do feito, obter maioria na Agência Nacional de Mineração, para ter de volta decretos de lavra de jazidas que desistira há mais de cinco anos por exaurimento do bem mineral (bauxita-alumina), no município mineiro de Poços de Caldas.
Isto após descobrirem que logo abaixo estariam hoje as tão cultuadas no mundo moderno, terras raras. Uma situação em que a lei obriga a disponibilidade da área a leilões e novas outorgas. E não há nenhuma brecha em lei que possibilite ser diferente.
Essa agência, ANM, presidida por Mauro Henrique que confio merecedor de fé, sabendo inclusive que teria sido contra tal desarrazoada medida, há pouco anunciou inexistência de recursos humanos e financeiro para darem legalidade junto ao Estado ao trabalho legal, mais de cem mil processos paralisados de todo o país, no entretanto encontra espaço, disposição, até em tempos de festas, para atropelos às leis como essas.
Mas, a meu entender dentre ao setor minerador quanto a esta empresa, de Antônio Ermirio, ações de deslizes, JAMAIS.
O incrível é que perante tal governo de agora, que outra vez, se diz do povo trabalhador, nós, homens das catas, dos barrancos, dos rios e das selvas é que somos refinados malfeitores.
A canalhice é mesmo parceira da falta de vergonha…
BH/Macapá,04/01/2026
José Altino Machado

