Suspensa entre palavras e argumentos
naveguei por narrativas insolentes,
os meus remos eram invisíveis, mas conscientes.
O meu barco uma nau de alma abrangente,
soltou velas e tremulou ao som dos ventos.
Águas calmas?
Não as vi em nenhum momento.
O inesperado era a rota e o fundamento.
Alguns sustos? Muitos.
Foram empurrões bem dados, tapetes puxados.
Fizeram-me seguir em frente
Furacões, ondas de calor climático, terremotos.
Foram esses meus parceiros de travessias.
Revelaram-me fraquezas e soberanias.
Afinal, quem eu seria sem um mergulho no mais profundo,
no mais do profundo dos oceanos de meu SER.
O pão mofado revelou a cura – o antibiótico?
Nem tudo é o que parece, FOI UM ESQUECIMENTO.
Um esquecimento de Fleming levou à descoberta.
Abstraiu-se, desconcentrou-se o cientista
e suas placas de cultura de microrganismo
ignoradas ficaram no laboratório.
Lá as encontrou, no retorno das férias, repletas de fungos.
Fungos similares aos que crescem no bolor do pão velho.
Mas o inesperado trabalhara bravamente em silêncio,
e os fungos famintos saciaram-se com as bactérias,
as vilãs causadoras de tantos sofrimentos.
Um aprendizado, uma lição soberana, ficou.
Sim, ficou desse fato e de tantos outros similares,
fatos da evolução tecnológica e humanitária.
Não descarte o erro, não desemborque o barco,
não desenlace as narrativas da alfaiataria alheia
por repulsa ou ojeriza ao sujeito ou ao predicativo.
Observe-os com perspicácia, há nessa trama os indícios,
os complementos e adjuntos que irão explicitar o obscuro.
O inexplicável, o insondável que permeia descobertas e fraudes.

