Alguém precisava morrer mil vezes para renascerem manhãs.
Tu renasceste a perfumar meus dias.
Alguém deveria sonhar em meio ao óbvio e à covardia.
Tu rabiscaste trajetórias além das romarias e freguesias.
Alguém deveria eclipsar-se diante da fatal humana megalomania.
Tu apressaste o passo vestindo esperança, de todos à revelia.
Alguém teria que subjugar o medo e o ódio de sua própria tirania.
Tu não hesitaste em lançar-se aos mares revoltos à luz do meio-dia.
Carecia a jornada de tantos afetos e risos abertos.
Tu atravessaste desertos a semear coloridos tons com maestria.
Carecia o show de um palco para compartilhar dores e alegrias.
Tu abriste as cortinas ao sabor do frio e calor a descoberto.
Sopravam no vale ventos e lendas – mitologias.
Tu alinhavaste páginas e páginas ao som da consciência.
O silêncio apoderou-se dos saberes e mistérios dos caminhos.
Tu rasgaste fronteiras como quem resgata casulos de sedas.
Romperam-se barragens de águas barrentas e de águas cristalinas.
Uma dança russa ou um tango argentino teus movimentos de dançarina
provocaram rodopios em pistas andinas, lembranças peregrinas.
Há uma ventania a colapsar o ritmo da humanidade.
Há um colapso alimentado pela hipocrisia, vilania.
Há alguém que olha dentro de meus olhos, visão que guia.
Instantaneamente tu estabeleces luminosidade.
Tu és, eu sou – a eternidade.
Tu já viste palavra desabrochar qual flor?
A flor do Amor regada pelas águas da Sabedoria.

