O atentado em Brasília, perpetrado por Francisco Wanderley Luiz, evidencia que o radicalismo de extrema direita permanece uma ameaça real e presente à democracia brasileira. Esse tipo de ação é um reflexo do enfraquecimento das normas democráticas, como aponta Steven Levitsky em “Como as Democracias Morrem”, onde destaca que o desrespeito às regras do jogo democrático é um dos primeiros sinais de erosão institucional. No Brasil, a escalada de discursos radicais e ações antidemocráticas, muitas vezes normalizadas, cria um ambiente propício para atos de violência que desafiam diretamente a estabilidade do Estado de Direito.
Especialistas como Esther Solano têm alertado que o extremismo de direita no Brasil ganhou força com a polarização política e a disseminação de desinformação nas redes sociais. Esse movimento utiliza narrativas conspiratórias para fomentar desconfiança nas instituições e no processo eleitoral, gerando um cenário de animosidade e descrédito. Solano reforça que, sem uma resposta clara e firme, o país corre o risco de entrar em um ciclo de violência política ainda mais intenso, onde novos ataques poderiam se multiplicar e minar progressivamente a confiança pública nas instituições democráticas.
A resposta a essas ameaças exige equilíbrio entre força e cautela. Yascha Mounk, autor de “O Povo Contra a Democracia”, destaca que medidas institucionais precisam ser aplicadas de forma contundente, mas sem que sejam vistas como repressão política. A omissão frente ao radicalismo pode consolidar espaços de impunidade, mas uma reação desproporcional poderia reforçar a narrativa de vitimização promovida por esses grupos extremistas. Portanto, é fundamental que a justiça e as autoridades ajam com transparência, garantindo que o enfrentamento seja visto como legítimo e em defesa da democracia.
O caso de Francisco Wanderley Luiz deve ser entendido como um alerta. O Brasil precisa fortalecer suas instituições democráticas, combater a desinformação de maneira estratégica e ampliar a educação política para evitar a proliferação de discursos extremistas. A democracia brasileira já demonstrou resiliência em momentos de crise, mas essa estabilidade só será preservada com uma vigilância constante. Como afirma Levitsky, “a democracia é tão forte quanto a disposição de seus cidadãos e instituições de defendê-la”. Ignorar essas ameaças é arriscar décadas de conquistas e abrir caminho para uma possível erosão do sistema democrático.
Radicalismo de Extrema Direita: Um Risco Real à Democracia Brasileira
