A dor nas costas ou nos ossos em idosos não deve ser encarada apenas como um “sinal da idade”. Muitas vezes, pode estar relacionada a doenças reumáticas limitantes, fraturas, tumores ósseos, mieloma múltiplo ou até mesmo a infecções como a tuberculose. Por isso, a avaliação médica é indispensável. O reumatologista é o especialista em diagnosticar e investigar essas situações, diferenciando o que faz parte do envelhecimento natural daquilo que exige tratamento imediato.
As doenças reumáticas mais comuns no idoso
Com o passar dos anos, algumas doenças se tornam mais frequentes e impactam profundamente a qualidade de vida. Entre elas, destacam-se:
• Artrite reumatoide no idoso: embora mais conhecida em adultos jovens, pode surgir após os 60 anos. Provoca dor, inchaço e rigidez em várias articulações, como mãos, punhos, joelhos e pés. Muitas vezes é confundida com artrose ou gota, atrasando o diagnóstico. O tratamento precoce é essencial para evitar deformidades, perda de função e dependência.
• Polimialgia reumática: comum em pessoas acima de 60 anos, causa dor intensa e rigidez em ombros, quadris e pescoço, dificultando tarefas simples como se levantar da cama ou pentear o cabelo. Frequentemente vem acompanhada de fadiga e perda de peso. Pode estar associada à arterite temporal, que inflama artérias da cabeça e pode levar à perda de visão. O diagnóstico rápido preserva articulações — e também a visão do paciente.
• Osteoporose: doença silenciosa que enfraquece os ossos, tornando-os suscetíveis a fraturas mesmo em quedas leves. Quadril, coluna e punho são os locais mais afetados. Uma fratura pode significar dor crônica, perda de independência e até risco de vida. A prevenção inclui alimentação rica em cálcio e vitamina D, prática de exercícios físicos e, em alguns casos, medicações específicas.
• Artrose (ou osteoartrite): é o desgaste progressivo das articulações, especialmente em coluna, quadris e joelhos. Gera dor, rigidez e limitação dos movimentos. Apesar de muito comum, não deve ser normalizada: existem tratamentos que reduzem a dor, melhoram a mobilidade e preservam a autonomia do idoso.
• Fibromialgia no idoso: manifesta-se com dor difusa em várias regiões do corpo, fadiga, distúrbios do sono e alterações de memória e concentração. Em pessoas idosas, pode ser confundida com outras doenças musculoesqueléticas, atrasando o diagnóstico. Além da dor, pode levar à depressão e isolamento social. O tratamento envolve medicamentos, fisioterapia, atividade física adaptada e apoio psicológico.
• Sarcopenia: é a perda progressiva de massa e força muscular, ligada a fatores como sedentarismo, envelhecimento, doenças crônicas e inflamações. Aumenta o risco de quedas, fraturas e perda de independência, sendo considerada hoje uma das principais síndromes geriátricas. O tratamento inclui exercícios resistidos (musculação adaptada), nutrição adequada e, em alguns casos, suplementação.
Dor no idoso: sempre merece investigação
É importante lembrar que dores persistentes também podem estar relacionadas a síndromes paraneoplásicas, em que um câncer provoca manifestações no sistema musculoesquelético. Assim, dor contínua em idosos nunca deve ser banalizada.
O reumatologista atua como um verdadeiro “detetive” do diagnóstico: avalia sintomas, solicita exames e diferencia condições benignas de problemas que podem colocar a saúde em risco.
O papel do médico geriatra
Outro profissional fundamental é o geriatra, que deve acompanhar o idoso de forma anual ou semestral. Ele tem um papel estratégico: diagnostica situações próprias da idade, organiza e concilia as várias medicações prescritas por diferentes especialistas, além de acompanhar a saúde global do paciente e orientar sobre prevenção.
Conclusão
Envelhecer com saúde significa cuidar de articulações, músculos e ossos. Dores não devem ser vistas como algo “normal da idade”, mas como sinais de que o corpo pede atenção. Ao menor sintoma persistente ou limitação, procure um reumatologista. E não se esqueça: criar o hábito de consultar-se também com um geriatra é essencial para garantir qualidade de vida, independência e bem-estar na terceira idade.