Andarilhos, trilheiros…
Desciam pelas encostas,
subiam pelas colinas.
Talvez alguém de outro clima.
Enquanto nas estradas de Minas
os tolos desavisados,
os gatos pingados avolumados,
na saga do desvario coletivo,
por lentes multiplicadoras
ou por IA interativa usada por malfeitores,
fraudada em embalos descabidos
de pastores, também senadores,
e outros mentores do populacho.
O inesperado previsível faz-se audível.
Resetam-se em contos rocambolescos,
com cenários carnavalescos,
filmes de terror e zumbis crescendo como campim
na primavera invertida dos contos dos Irmãos Grim.
Onde usuários embutidos,
nas falas enrustidas
eivadas de estigmas
de marginais incompreendidos
e pares de libertinos
tumultuando avenidas,
lápides de heróis e heroínas,
sapateiam na Quinta Avenida
ou na Faria Lima decaída
com sobrolhos de sopapos,
obscenos redutos das maldades,
copiosos acenos de indignidades,
respingando nos jet skis e nas casacas,
nos palácios, mansões e templos,
atemporal refúgio dos vilões de todos os habitats.
Nos Andes o fogo se alastra,
como ontem, anteontem e agora,
abrindo caminhos para criminosos
desprovidos de alma ou de humanidade.
Copiosas lágrimas ardentes fazem eco,
evocam aos céus em chamas,
lançando seu universal lamento,
enquanto o solo é esfolado para proveito
da libidinosa ganância por escalpos
das entranhas sagradas da Terra, minas.

