Gosto de sorrisos largos,
risadas soltas, o tamborilar do rir das gentes.
Enchentes de pensamentos obscenos ou descentes.
Encanto-me ar rir de mim mesma…
Há nesse roteiro a saudável colheita de constatações de desacertos e acertos
em tons de acenos dispersos ou de harmônicos e pontuados acentos.
Gosto de saltar da cama com a lucidez do meio-dia,
milhões de projeções de ações a invadir o meu dia,
embora sejam apenas profecias.
Tenho algumas dúvidas sobre se sonho enquanto durmo
ou se o sonho ocorre enquanto escorre entre os dedos, não a água,
mas o diurno atropelo do dia a dia.
Seria, então , este não um sonho , mas um pesadelo?
Abro a janela e sorrio.
Abro a porta, o portão, a cidadela, o império…
E o sorrir abre novas visões, novos caminhos,
novos sonhos, talvez, afastando os pesadelos,
as recordações de golpes que chegaram a galope,
durante a madrugada ou a plena luz do dia
em uma nave brilhante ofuscando o que via.
O que era e não o que parecia, se confundiam.
Não há dor que resista a uma gargalhada sibilando nos ares,
ricocheteando em prosa e verso os ângulos obtusos,
sem camuflar os ângulos retos, rasos e até os agudos,
além das faces encobertas das pirâmides nas florestas e desertos.
Obra de um acrobata, um verdadeiro artista equilibrista,
eu diria que reflexo dos sorrisos soltos e risadas largas,
como os das crianças em folguedos,
nas nossas manhãs e tardes.