Até onde devemos acreditar nas campanhas para a redução dos gases de efeito estufa se os próprios condutores dela não acreditam e agem como se toda a pregação climática não fosse verdadeira. Toda a campanha ambiental encetada por comando do braço climático da ONU é eivada de deslavadas mentiras, desculpem, cavalheirescamente substituamos ‘mentiras’ por contradições.
O Brasil é um dos países do mundo que mais tem sofrido nas mãos do ambientalismo mundial. Vou repetir, as únicas ‘sanções’ efetuadas no planeta não são as existentes hoje no mundo, existem outras ‘sanções’ de formatos diferentes e, para os que não perceberam, o nosso país está entre os ‘sancionados’ através das restrições às exportações do nosso agro promovidas por países do ‘dito’ mundo ocidental.
Naturalmente não me atreveria a fazer as afirmações que aqui faço se tais ações não fossem ‘públicas e notórias’. Irina Slav, redatora da Oilprice.com com mais de uma década de experiência escrevendo sobre a indústria de petróleo e gás publicou em 25/04/2022, no site da Oilprice.com, o artigo “A indústria de petróleo e gás está crescendo apesar das ambições líquidas zero” que transcrevo alguns trechos:
“Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos estão firmemente no caminho para uma economia líquida zero. Isso ficou claro por autoridades de ambos os lados do Atlântico, apesar da busca da UE por mais gás e dos pedidos do governo Biden por mais produção de petróleo.
No entanto, antes que o zero líquido seja alcançado – se algum dia for alcançado – tanto a UE quanto os EUA precisarão de mais combustíveis fósseis, incluindo carvão. E isso significa que, apesar dos apelos por mais energias renováveis dos governos e da indústria de energia renovável, apesar da demonização ativa da indústria de combustíveis fósseis, os investimentos em mais produção de petróleo, gás e carvão provavelmente aumentarão – pelo menos no curto prazo.
Um relatório recente da Reclaim Finance, uma organização de campanha contra combustíveis fósseis, por exemplo, nomeou e envergonhou gestores de ativos que investem em petróleo, gás e carvão. De acordo com o relatório, 30 dos principais gestores de ativos do mundo investiram US$ 82 bilhões em empresas que desenvolvem novos fornecimentos de carvão e US$ 468 bilhões em 12 grandes empresas de petróleo e gás.
‘O setor de gestão de ativos está mudando suas práticas de investimento de acordo com a ciência do clima, reduzindo os investimentos em expansão de carvão, petróleo ou gás? Infelizmente, a resposta é um enfático ‘não’, disse uma das ativistas da Reclaim Finance, Lara Cuvelier. ‘Vamos ser claros: perfurar um novo poço de petróleo ou abrir uma nova mina de carvão não é uma coisa normal de se fazer em uma catástrofe climática generalizada’, acrescentou o ativista.
Infelizmente para a Reclaim Finance e todos os outros ativistas climáticos, perfurar um novo poço de petróleo ou abrir uma nova mina de carvão é a coisa normal a fazer quando a demanda por energia excede a oferta disponível. E isso é exatamente o que as empresas estão fazendo em algumas partes do mundo onde a campanha climática não é uma força a ser considerada. Mesmo na Europa, alguns países estão reconsiderando seus planos climáticos, notadamente o Reino Unido e a Alemanha.
No início deste ano, o Reino Unido reconsiderou sua intenção de suspender gradualmente todas as perfurações de petróleo e gás no Mar do Norte em meio a uma crise de energia que começou no outono passado, fez com que o preço da energia disparasse e empurrou milhões de famílias para a pobreza energética. A mudança de postura do governo naturalmente provocou protestos de ambientalistas.
Na Alemanha, os planos para avançar gradualmente em direção a um sistema de energia 100% líquido-zero foram revistos à luz da potencial escassez de gás em meio à guerra na Ucrânia. A resposta do governo alemão a esse perigo potencial foi planejar a construção rápida de vários terminais de importação de gás natural liquefeito para substituir o gás russo. A maior economia da Europa e da UE, em outras palavras, está substituindo uma fonte de combustíveis fósseis por outra, em vez de substituir os combustíveis fósseis por renováveis.
Nos Estados Unidos, uma mudança semelhante está em andamento. Apesar da agenda decididamente verde e pró-transição com a qual o presidente Joe Biden chegou ao poder, agora esse mesmo presidente está chamando todos os produtores de petróleo dispostos a dar ouvidos para bombear mais porque os preços dos combustíveis no varejo estão altos e há eleições a serem vencidas ou perdidas — em novembro.
O governo diante do próprio presidente, do secretário de Energia e do secretário de imprensa da Casa Branca tem dito repetidamente que a agenda de transição e os atuais apelos por mais produção de petróleo não estão em desacordo porque esta última é apenas uma medida temporária até que, presumivelmente, as energias renováveis se destacam. Temporária ou não, maior produção exigirá maior investimento. ‘Precisamos de energia fóssil como parte dessa transição. Esta é uma longa transição. Isso não é da noite para o dia’, disse Keo Lukefahr, chefe de derivativos de energia e negociação de energias renováveis da Motiva, citado pela Bloomberg.
Não apenas a transição não acontecerá da noite para o dia, mas também exigirá muito esforço. E investimentos. No mês passado, por exemplo, um analista da CRU alertou que a indústria de mineração precisava investir cerca de US$ 100 bilhões em novas minas de cobre para evitar um déficit de oferta que poderia chegar a 4,7 milhões de toneladas até 2030. Todos os outros metais e minerais de transição estão potencialmente em falta.
A situação no momento é esta: o mundo precisa de mais energia do que está recebendo. As pessoas, na maioria das vezes, não se importam de onde vem a eletricidade, desde que ela esteja lá. E eles tendem a ficar bastante infelizes quando os preços de tudo sobem porque os combustíveis usados para transportar mercadorias de um lugar para outro são muito caros porque o suprimento de petróleo é escasso”.
O único efeito prático que se observa em função das tais campanhas climáticas no mundo é a ‘carestia’, termo antigo utilizado quando os preços do que consumimos alcançam patamares elevados. Como convencer os habitantes dos países que sofrem hoje a ‘carestia’ que os seus atuais governos não são os responsáveis pelos preços ‘estratosféricos’ do que se consome e sim de decisões estapafúrdias, sem pensar nos consumidores, de alguns países desenvolvidos que pretendem o domínio da geopolítica?
Até o momento não consigo testemunhar qualquer ação de nenhum país arguindo essa enorme contradição.