Após uma longa cantilena de que o desmatamento na Amazônia, seria, segundo os “Climaticídeos”, o “Armagedon” nexo de causalidade do “Aquecimento Climático”, alguns poucos cientistas de nossa região, tiveram alguns raros e preciosos minutos para falarem, em nome dos 29 milhões de amazônidas, fazendo alguns comparativos desconcertantes sobre essa assimétrica relação de preservação exagerada de nossas florestas primárias, que ainda revela nossa competência ambiental pois temos mais de 84% de coberturas originárias intactas, na grande Hileia de Humboldt.
Outra verdade ainda mais desconcertante, revelou aos Climaticídeos que o Brasil, com geração de 160 GW, é a terceira maior potência do Planeta em geração de energia renovável, só perdendo para a China que produz 1TW e os Estados Unidos da América, em segundo lugar, que produzem 398GW.
Por quais motivos e lógica, nós, estamos sendo domados e dominados por um País, como a Noruega, que tem hoje 5,4 milhões de habitantes, e que há 60 anos, tinha apenas 3,58 milhões de habitantes. A Nova Zelândia tinha, em 1960, 2,37 milhões de habitantes e hoje tem uma população de 5,3 milhões de habitantes. O Brasil, em 1960, tinha 79,2 milhões de habitantes e hoje tem 215 milhões. Logo para ter essa competência ambiental com mais de duas centenas de milhões de habitantes, é preciso muita competência e nós merecemos respeito.
Hoje, a população da cidade de São Paulo, é superior a 12 milhões de habitantes, que é supera às populações juntas da Noruega e da Nova Zelândia que somam apenas 10,7 milhões de habitantes. A Noruega chegou nessa COP30, querendo proibir a exploração de Petróleo na Plataforma Equinocial do Pré Sal do Amapá, enquanto ela, vende seu Petróleo para União Europeia e outros Estados Nacionais, recebendo dólares e entregando, com a maior cara de pau, Aquecimento Climático, para seus países clientes, e para todo o Planeta Terra.
O mesmo estudo indica que o maior produtor relativo de energia “limpa” é a Noruega, onde 99% da energia produzida é proveniente de fontes renováveis. Na segunda posição está a Nova Zelândia, com 80,9% de energia renovável, que ultrapassou o Brasil (desceu uma posição face a 2020 mas que ainda ocupa o terceiro lugar, com 78,4%. Não precisamos de exemplo pois somos a Meca Planetária de conservação e preservação ambiental.
O Brasil, já ofertou, de forma generosa e gratuita, o maior território ecológico entre todas as nações do planeta, totalizando 30,2% do seu espaço (257.257.508 há) em áreas protegidas e terras indígenas. O Estado do Amapá é ainda mais generoso e já ultrapassou os 74% de oneração ecológica de seu território, somando as unidades de conservação ambientais e áreas patrimoniais indígenas.
O que ficou provado nesta COP 30, foi a revelação de um debate órfão da presença do capital social da Amazônia. Somos a região que mais exporta bens e serviços ambientais do planeta. Na contramão dessa realidade somos também uma região onde mais da metade de sua população vive abaixo da linha da pobreza, com os maiores índices de violência e onde para cada pessoa formalmente empregada temos duas recebendo salários sociais do Governo.
Finalizada, como nas últimas 5 versões pré Balzaquianas, deste evento da COP 30, esta também não convenceu mais ninguém de nossa Amazônia pois já oferecemos nos espaços econômicos em moldes de áreas patrimoniais ambientais e ou áreas indígenas de forma que nosso presente tem que sobreviver para que tenhamos um futuro melhor, explorando com o mesmo direito dessas Nações, já ricas e desenvolvidas, nosso merecido desenvolvimento, mesmo tardio.
Como podemos debater o aquecimento global com os senhores, cidadãos dessas ricas nações do planeta, se não temos voz? Como podemos debater mecanismos de desenvolvimento limpo se ainda não conhecemos meios e condições de formarmos nosso próprio desenvolvimento e nos forjarmos cidadãos globais para ser e participar das decisões e formulações das questões globais ambientais e climáticas, intrínsecas às nossas vidas.
Como servir e essa causa global alienígena, defendida sem amparo científico nesta COP 30, se nossas cidades na Pan Amazônia desconhecem saneamento básico, nascem e crescem na informalidade e já não temos mais o simples direito de existir com dignidade e urbanidade? Anoitecemos e amanhecemos com os gritos e sintomas da violência urbana, que são reportadas todos os dias nas grandes redes de comunicação, onde, quando não somos nós mesmos as vítimas ou a própria história dessas violências. O mundo trás uma encíclica que nos ilegaliza em nossa própria existência, sem um mínimo de direito de sermos nós mesmos, o senhor de nossos destinos.
Já somos a maior potência agrícola do Planeta. As demandas por Potássio, Fósforo e Nitrogenados do Brasil, continuarão a crescer, sendo que já somos o maior produtor de alimentos do planeta, mas temos uma flexa apontada para o coração do sucesso do nosso agronegócio, pois somos o único desse clube de mega produtores de alimentos, que é dependente em 85% das importação desses insumos agrícolas de outras nações, ou seja, de cada 100 toneladas de potássio, fósforo e nitrogenados que usamos em nossas lavouras, 85 toneladas vêm de outros países. Importamos custos e reduzimos competitividade. A Amazonia pode resolver esse problema com sustentabilidade ambiental, equilíbrio e redução de carbono.
Aprendemos com os ameríndios e cabocos, bem destacado por Leandro Tocantins em seu livro “O rio comanda a vida”, que na Amazônia, o meio põe no homem a sua marca e o rio comanda nossas vidas. No Amapá, atualmente, 96% de todas as coberturas florestais primárias estão preservadas, fato que revela a natureza altamente equilibrada, que permeia nossas relações entre homem, trabalho e natureza. Nossa existência como sociedades dominiais não pode ser mais ignorada enquanto nosso patrimônio ambiental é tiranicamente retirado de nosso senhoril por uma afetação global ecocrática geradora de miséria, sem um mínimo diálogo com nossas sociedades locais.
Somos mais, e muito mais, do que ilhas de calor e equilíbrio climático. Em nossas Unidades de Conservação Ambiental há mais do que serviços climáticos, pois infinitas riquezas nelas existem e que merecem ser sustentavelmente exploradas e usadas como bases na construção de nosso desenvolvimento. Queremos ser sujeitos desse debate e merecemos ser parte e participar de todas as decisões sobre nossos destinos.
Os números de responsabilidade geoclimática do Brasil são inigualáveis e nunca serão superados pois somas a “Meca” da preservação ambiental. Temos 66,3% do território brasileiro são cobertos por vegetação nativa, sendo que 10,4% estão em Unidades de Conservação do Tipo Integral (parques nacionais, estações ecológicas etc.), 13,8% em Terras Indígenas Regularizadas (600), 25,6% em áreas destinadas à preservação nas propriedades rurais e 16,5% em terras devolutas e não cadastradas.
Ainda temos que destacar que 30,2% são ocupados pela agropecuária, onde 7,8% são utilizados para a produção de grãos, frutas, hortaliças e culturas perenes, 1,2% cobertos por florestas plantadas (silvicultura) e 21,2% são pastagens, sendo 8% nativas e 13,2% plantadas. Todos os espaços urbanos, laser, moradias e infraestrutura ocupam apenas 3,5% do território brasileiro (Fontes: SFB, Embrapa, IBGE, MMA, FUNAI, DNIT, ANA, MPOG; 2019)
Não aceitaremos mais essa imposição fantasiosa de que somente a fossilização dos espaços econômicos brasileiros, especialmente em nossa Amazônia, irão resolver essa cantilena de “Aquecimento Global”. Temos que quebrar a dormência social de nossas de nossas riquezas, pois estamos geologicamente vivendo um processo de desglaciação que se iniciou há mais de 15 mil anos e que promoverá inevitável levantamento do nível dos oceanos e, estes fatos, não há como se evitar, pois, as forças determinantes são extrínsecas ao controle humano, pois envolvem centenas de variáveis geocósmicas. Assim, nações mais pobres irão sofrer bastante independente de não tirarem nos próximos 40 anos, nem uma folha de seus territórios. Sem não aproveitarmos essas riquezas o flagelo social será aprofundado pela catástrofe da desglaciação.
Assim, assiste verdade nas palavras do saudoso antropólogo Charles Wagley, que viveu vários anos na década de 1940, na Amazônia e, assim, ele definiu as relações de territorialidades: “A terra só é útil ao homem na medida em que ele possui o equipamento cultural, em um determinado lugar ou ocasião, e na medida em que ele sabe utilizar. (…) Todos os povos têm a mesma potencialidade para melhorar a condição social; o ambiente físico em que vivem é apenas um dos muitos fatores que determinam o complexo ajustamento do homem à sua ambiência”, sintetizou bem o antropólogo Charles Wagley.
Temos nosso próprio corolário desta COP 30. Como caminho de reencontro entre às sociedades amazônidas, o uso de suas riquezas e a Geosociedade que desejamos ser, há que se construir com o conhecimento empírico e científico, uma nova modelagem no reordenamento formal de uso e conservação de nosso território inclusive abrir uma nova base de industrialização e mercantilização de insumos agrícolas ativando a Zona Franca Verde e integrando à nova Plataforma Agrícola e Logística do Calha Norte ao sistema de navegação de longo curso do porto de Santana.
Temos nosso próprio corolário desta COP 30. Como caminho de reencontro entre às sociedades amazônidas, o uso de suas riquezas para definir os caminhos de nossa sobrevivência. É preciso combater essa cruel e desumana colonização ambiental da Amazônia e retirar das prezas da ONG´S o veneno social que nos encarcera por sua ecocracia da pobreza.
Não há dúvidas de que todos somos a favor da construção de uma geocomunidade humana mais igual, civilizada e que se lute para a busca ideal de um planeta ambientalmente mais sustentável, mas há que despolarizar essa inquisitória razão ecológica hoje monoliticamente tratada como prioridade única aos países ricos e etnocentricamente nos rebaixam a uma desconcertante subordem social.
A preservação e uso global de nossos insumos ambientais e da busca do dano mínimo ante as mudanças climáticas sempre se falará no foco de pensar e ecologizar globalmente, mas como deixamos claro nesta COP 30 – tudo pode ser feito, mas sem empobrecermos localmente. A Amazônia e seus insumos ambientais, como uma semente que quer crescer e frutificar, não podem continuar nessa dormência social, sob o canto da Sereia, com uma cantilena ecológica e ecocrática que só produz pobreza.
Chega de esperar pelas missangas da União Europeia, USA, Inglaterra e Japão.! É tempo de agirmos e usarmos nossas riquezas para dignificar nosso presente e garantir um futuro, com desenvolvimento e bem-estar social, das vindouras gerações na Amazônia. Não tem como nos descolonizar de nossa própria existência, nossas riquezas.
Macapá, 18 e 19 dejunho de 2022
Antônio Feijão
Msc. Geólogo e advogado