Pausa! Parei agora o que estava fazendo para pensar. Não sei de fato se o certo é dar pausa, pois não sei, de certo, se continuarei fazer o que eu estava fazendo. Dei uma pausa para refletir sobre algumas coisas, as quais o instante me trouxe. Olhei em minha mesa é lá estava minha amiga Rejane Rech cheia de sutilezas. Rejane e eu temos uma amizade profícua desde quando comecei a lê-la.
Ela sempre me diz que estamos sempre a pensar e que alguns pensamentos merecem registros, enquanto outros podem ser colocados de lado. Refletir sobre a vida ou algo relacionado a ela é sempre prazeroso e nos ensina muito.
Não importa o período do dia, madrugadas, manhãs, tardes e noites podem trazer consigo reflexões que nem sempre são consideradas importantes para a maioria das pessoas, pois o importante é sempre muito relativo. A vida vai desenhando essa importância a seu bel-prazer e a lírica que o cotidiano tece, entrelaça e nos enreda em suas supostas tramas. Por outro lado, as pessoas são meras e passivas espectadoras do seu entorno e buscam uma interação com o seu mundo interior, com a sua alma.
E assim, olho para Rejane e ela com toda a sua sutileza e perspicácia, olha para mim e diz:
- Meus olhos buscam o horizonte ainda meio embaçados por névoa: As ondas sempre chegando, espichando-se benzendo a areia com bençãos. O ar quase não se move; só envolve, penetra e provoca gozo. Alguém varre os caminhos do jardim e recolhe as folhas caídas das árvores, saíras azuladas batem asas para brindar o dia e sua luz; e eu, ah, eu seu que nasci para me extasiar com essas graças, essas pequenas e grandiosas graças com as quais passamos a vida toda sonhando e desejando.
E eu, reflexivo, permaneço em meio ao silêncio que barulha em meus ouvidos. Essa reflexão trouxe-me uma gota de saudade, saudade de tudo aquilo que deixei passar e não refleti sobre e percebo que preciso verbalizar essa saudade para que o ontem não deixe de existir. Há dias em que a gente está saudade e percebemos que ela é somente o ontem batendo em nossa porta por simplesmente existir.
Olho para o dia, paro e reflito sobre a sua grandeza e sobre tudo que ele pode me trazer. Seu amanhecer é sempre um descortinar do tempo, o qual traz a manhã como uma bela e encantadora mulher insinuando-se aos olhares de alguém, pois de acordo com Rejane: haverá sempre um amanhã pronto para nascer nas dobras do tempo do tempo, sol e lua intercalando-se em suas jornadas cósmicas, uma primavera escondida nas folhas ainda em branco e nas quais muitas histórias serão escritas.
Neste momento, paro e reflito quer há em mim a sensação de inquietude a tudo e sobre tudo. Contudo, exponho-me e encaro meus medos e não permito que achem que se trata de tristeza, não faço sala para ela, pois ela sabe que nunca é bem-vinda. Sendo assim, interrogo-me: - O que vale realmente nesta vida?
- O que realmente é importante? Contudo, não esqueço que o importante é relativo. Cada olhar é diferente do outro e todos nós somos diferentes e isso é que nos torna iguais.
Reflito e penso que muitas vezes, as palavras não têm o imenso valor que tem o silêncio, pois parei o que eu estava a fazer para ouvir em silêncio algumas palavras que me trouxeram à reflexão (depois da dor) de que a vida ainda tinha muito a me ensinar.
O dia passou e não percebi. Não vi o tempo passar. Percebi que não voltei para fazer o que eu estava fazendo quando parei para entrar no estado de reflexão. Agora, veio-me a dúvida, se foi eu quem parou ou o instante me parou? O que viram meus olhos que me levaram a esta pausa? O que de tão importante aconteceu para eu pausar aquela ação e me entrelaçar em outra?
De certo, vou refletir sobre isso para eu encontrar a resposta, fiquei curioso e a curiosidade é o motor que nos leva a busca da verdade e essa busca é um caminho longo e infinito cheio de desafios que muitas vezes precisam de reflexões para seguirmos em frente.
Pausa!! Preciso refletir.
COTIDIANO
Varro e recolho as folhas caídas
no outono.
Coloco minhas emoções e sentimentos
em um tanque repleto de vinho.
Vejo o que não me serve mais ir
embora
e sem importância para mim, não
sentirei sua falta.
E assim, extasiado, passo a vida
sonhando,
Crescendo, maturando e entendendo
que o passar dos anos é um ser
que nos leva, inevitavelmente, a
isso.
Jorge A. M. Maia