A recuperação judicial da Americanas deixou clientes com receio de fazer compras online, mas não afastou os consumidores das lojas físicas Prova disso é o movimento normal em unidades da varejista em São Paulo, como a situada na avenida Paulista. Enquanto clientes entram em saem da loja, funcionários trabalham, como em um dia normal.
Sem falarem com a imprensa, eles se reúnem, no começo do expediente, em uma roda perto do caixa e se preparam para mais um dia de vendas.
João Almir trabalha em uma lanchonete ao lado da loja e é cliente da Americanas há anos, tanto pela praticidade quanto pela proximidade do local de serviço. ‘Sou cliente até pelo aplicativo e continuo comprando normalmente. A gente fica sabendo das coisas que aconteceram, mas vou continuar cliente até alguma novidade em relação à dívida que existe’, ele diz.
Por outro lado, Guilherme Borsarin, acompanhado de suas filhas Graziele e Gabriela, prefere tomar precauções e não comprar mais na Americanas. Ele desconfia do que foi feito com o balanço da empresa e espera demonstrações de que foram e estão sendo tomadas boas medidas com fornecedores e consumidores para voltar a consumir no gigante do varejo. ‘Hoje em dia, tenho um pé atrás com relação ao que a empresa fez recentemente, não acho correto o que foi feito’, afirma.
Marian Braguim, cliente há tempos, pretende consumir ainda mais na loja, já que gosta da empresa e espera assim ajudar a evitar demissões, falência e falta de produtos nas prateleiras. ‘Acho que terão um déficit muito grande, mas acho que, por ser uma boa empresa, alguma solução será encontrada. Eu vou consumir ainda mais para ajudar’, conta a enfermeira, enquanto ri.
A advogada Yasmin Cordeiro acompanhou de perto a situação e diz não conseguir entender como isso aconteceu em uma empresa tão grande. Na loja física ela continua a confiar, mas em lojas online passou a não confiar e prefere comprar em concorrentes, porque considera que houve uma quebra de confiança entre consumidor e fornecedor. ‘Um exemplo clássico disso aconteceu com a TV Manchete, que faliu e nunca mais voltou. Com a Americanas, até na perspectiva jurídica, dá para reverter caso eu compre algo e não seja entregue, mas hoje eu teria um pé atrás de consumir na loja, sim’, explica
Lucineide Lima diz que não compraria online na Americanas atualmente, coisa que antes ela fazia com mais tranquilidade. Apesar de crer em uma solução e não achar que a empresa vá realmente fechar, ela também não vê problema em adquirir algum produto em loja física. ‘Acho que não é interessante para ninguém que a empresa quebre ou acabe, porque ela é muito grande, então a solução deve vir até pelas vias políticas’
Com informações do R7

