Entrevistadores, travestidos de debatedores, falam como se fossem experts no assunto. Quem os assiste chega a entender que comentam sobre propriedade deles, como se uma árvore fosse goiabeira de fundo de quintal de suas residências. Total ausência da cultura regional. A Amazônia, por ser uma das dez palavras mais publicadas do mundo, virou bandeira ou sacolinha, que rende muitos investimentos em divulgações inconsistentes, ferindo o espírito e o patrimônio do povo que lá se encontra.
Em alguns estados, onde, hoje, temos grandes produtores rurais, dando à terra utilidade e benesse social, nada foi derrubado à toa. No agronegócio, o desmate é feito em terras planas, cultiváveis, não é feito em qualquer lugar. E a Amazônia, embora muitos pensem que sim, não é uma planície total, absolutamente. Os morros, embora sejam baixos, não são lavráveis, porque não comportam trabalho com máquinas agrícolas.
Os discursos dos aspirantes a Presidente dão um tom de maior gravidade ao problema, vez que são postulantes a administrador de algo, completamente, alheio a sua cultura. Logo ela que acredita o poder gerir e normatizar. Dessa maneira, até a legislação fica imposta por interessadas facções com auxílio dos meios de comunicações, alguns instigados por alianças religiosas ou por grupos de arrecadação financeira, conhecidas como ONGS.
O interesse nacional fica inteiramente irrelevante e postergado por essa gente. Incrível como o mundo de fora não tem a nós nenhum respeito como nação. Falam, falam da culpa russa em relação a própria guerra da Ucrânia, mas lá interferir ninguém arrisca. Por aqui, recebemos tapas “na bunda” como um povo infantilmente irresponsável. Vamos lembrar que quando a Inglaterra pirateava o mundo, chegou ao absurdo de usar uma droga como o ópio, para consolidar seus interesses na China.
Aqui, em nosso país, “o ópio” é o dólar que até artista de cinema manda para cá e olha que nosso povo trabalhador é responsável por um oitavo do sustento de alimentação mundial e nossos extrativistas da Amazonia são responsáveis por setenta por cento da economia do interior amazônico.
Nossas lideranças são inócuas, sem nenhum zelo por credibilidade ou por honra. Nossa esquerda tornou-se de barro. O partido dito dos trabalhadores foi fundado por gente altamente instruída, articulada e capaz. Entretanto, tornou-se motim de populistas com falsas bandeiras sindicalistas, que nunca conseguiram reconhecer que uma esquerda, com projetos e planos, necessita da direita, para produção e para a manutenção dos projetos assistenciais.
A França sempre alternou poderes esquerdistas com o pessoal da direita, reconhecendo que tem de deixar a direita funcionar, senão não há como sustentar os projetos da política antagônica. Os Estados Unidos alteram democratas e republicanos, por reconhecerem a necessidade de um e outro.
Em nosso Brasil latino, os governos destituem-se da responsabilidade de criar uma só nação. Como exemplo, povos tradicionais, como os índios, só o serão se continuarem sendo índios. Todos os seus direitos estão cravados na submissão da sua condição, sem nenhum poder sobre suas próprias vidas. Em terras da União, marcada é sua obediência ao Congresso Nacional, a representantes que jamais os conheceram. Bem por isso, as araras, principalmente, as azuis, coitadas, tem ajudado a enfeitar muitas lideranças artificiais, ditas indígenas, em visitas à capital federal ou mesmo em passeios munda a fora, comparecendo até em encontros da ONU. E ao que se sabe, tais araras são protegidas por lei.
O país caminha sozinho. O povo, que trabalha, carrega-o sobre os ombros, sem políticas que mirem o futuro. Nossas leis nacionais emanam muitas metas para reprimir, para conter, para estagnar essa ou aquela atividade econômica, nessa ou naquela região. E isso demonstra que as Constituições Estaduais são frágeis, ineficazes e estranhas a sua região.
Nosso ensino educacional é muito avesso a qualquer história regional. A ignorância não respeita ninguém. As pessoas começam a não respeitar aquilo que têm, por desconhecimento, posto que os livros escolares são sempre noutro sentido. Daí surgem os gestores às avessas, nesse país, os mesmos vistos nas entrevistas à Presidência.
Não há projeto – porque os projetos requerem conhecimento de causa – de legislar sobre questões e necessidades regionais. Eis o melhor projeto nacional: trazer o político aos eleitores. Tudo bem, a capital permanecer sendo uma ilha de fantasia, de ditaduras sobre os estados brasileiros, mas urge que os legisladores conheçam da região, dos lugares, dos estados sobre os quais vão legislar.
Do jeito que está, eles nunca se sentirão responsáveis por suas produções legiferantes e essa é a maior desgraça nacional: desconhecem o povo da região sobre qual suas leis imperam. Que Deus nos ajude e nos apareça um profeta, pelo menos, com propostas plausíveis e necessárias à nação, lorotas à parte.