Flutuar, planar, pairar … declinar-me sobre o texto do poeta do “Sentimento de Mundo” e das “Sete Faces”. Ouvir a música que emana de suas palavras livres e desejar a ti, no Novo Ano, “fruto do mato, cheiro de jardim” nos caminhos e paragens das histórias sem fim, nenhum estouro de boiada, e vez disso, alguns banhos de cachoeira com aroma de alecrim ou rosas carmim.
E, já que peguei carona com o poeta, desejo a ti um ano novo novinho, novinho em folha, sem nenhuma vírgula, rasura, ressalva ou aspas e sem travessões ou asteriscos entre o desejo e o objeto do desejo que há em ti.
Desejo-te encontro de rotas alvissareiras, de rostos amigos, mãos estendidas, sorrisos francos, abraços fraternos, afagos sonhados, conversas infindáveis sobre utopias e realidades abrindo a noite e adentrando o raiar do dia com tragos de cordial felicidade.
Desejo-te mesa farta, cartão liberado, chinelos confortáveis, lençóis macios e perfumados, dias de chuva para correr pelas calçadas, poças d’água; dias de sol para mergulhar nos mares e lagos, rodopiar em bailados sob os raios luminosos dos céus emanados.
Desejo-te gratidão para brindar a vida, seja sentado no chão a sombra de uma árvore ou na cadeira mais alta sob a égide de um trono ou principado.
Desejo que te encontres junto a ti encantado.