Minha primeira e sincera ocupação foi tentar nem tanto por curiosidade, calcular quanto custa a nosso Brasil um dia que seja de tais feriados. Sem discussão de suas razões em acontecerem, logo de cara, mesmo com contas ainda malfeitas, conclui que são caros. Muito caros mesmo, uma fortuna, o que levou a curiosidade para outra direção. Se assim são, quem e por que os estabelecem? Qual o critério de Estado usado para instituí-los? Qual a real necessidade em paralisar-se toda uma nação, sendo que numa fria realidade quem vai pagar pela vagabundagem legalizada é o próprio povo. Também estranho, que ele próprio não se apercebe disso.
Não cheguei sequer aproximar em finalizar contas, ainda mais que historicamente se sabe que por séculos o raciocínio para emissão do conhecido dinheiro acontecia em cálculos de produções por horas trabalhadas pelo homem. Hoje está valendo muita coisa, aliás, qualquer coisa…e se ninguém quer saber por que haveria eu, de interessar me? Porém, continuei cogitando se os responsáveis por tais folguedos entendiam mesmo do que estavam proporcionando, de sua legítima necessidade e de seu alto custo. Acho que não…
Lamentavelmente, ao fazermos existir uma democracia, fomos então obrigados a estar sujeitos de nova classe criada, os políticos. Desgraçadamente não se buscou cursos ou estabelecimento de regras ou saberes e que tivessem conhecimentos mínimos para cargos e funções, que uma vez feitos gestores, haveriam de ocupar. E sai cada coisa que p-q-pariu. Político virou profissão, para poder e ganhos não precisando sequer saber com o que vai lidar; e tome bobagens…
E embalado pela triste conclusão que por aqui, responsáveis não querem saber de coisa alguma, buscando apenas aplausos e palanques, ocupei de vez, pelo menos minha mente.
Seca no Solimões (AM). Em Brasília lotaram um jato Legacy da Embraer de políticos e para a região seguiram unicamente em prestígio a tempos ruins reinante, só pode. Não levaram um cientista sequer, seja a problemas da seca, sua ingerência no meio social, efeitos e principalmente suas causas para conhecimentos em buscas de amenizá-las em prevenções futuras. No mínimo um meteorologista, que com certeza diria a eles “chuva que nada, inverno curto, quente, pouca formação de gelo andino, cujo degelo colige no regime do Solimões”. Cegos em um tiroteio, políticos brasileiros buscaram logo falar, “estiagens”, palavra aprendida no sofrimento dos povos nordestinos, isolados que são dos ventos marítimos úmidos pelas serras litorâneas. E como lá seca da voto e já deu muito dinheiro, procuram ver se a moda pega na Amazonia.
Examinando qualquer histórico se aprende que na Amazonia isto é cíclico, aconteceu recente 2009/10, assim como os sólidos em suspensão que ano passado invadiram Alter do Chão no rio Tapajós-PA, onde basta a cheia e força do grande Amazonas para empurrá-los até lá. Mas, como foi depto de polícia que disse que os bandidos eram outros, melhor ficar calado.
Bom, de uma maneira ou outra segue tudo se aproximando da máxima de Rui Barbosa “tem tanto burro mandando em gente inteligente, que se chega a pensar que a burrice é uma ciência”.
No ócio abençoado pela padroeira, de tanta baixaria cultural registrada, fui então ler dois dos maiores meios de comunicação no país. Mas, de novo, outro susto e emoção…
Na revista de maior circulação nacional, outrora berço de grandes jornalistas, inclusive investigativos, no mesmo assunto “estiagem” amazônica, ilustrado por nítida fotografia com peixes mortos as pencas em poção de pouca água bem deteriorada e contaminada, o repórter, não jornalista (há diferença), invoca qual possível causa das mortes tão tristes. Abandonando a clara insalubridade e pouca presença de oxigênio absorvido pela espelhada podridão, não deixou de vislumbrar a possibilidade de ser mercúrio, em alusão óbvia aos caçadores de minerais valiosos, talvez, os mal afamados garimpeiros da Amazonia.
Não estaria nem aí para este lugar comum hoje da imprensa nacional em registrar e mesmo distribuir tanta besteira e lorotas até criminosas, mas fui ler um outro campeão. Um jornal, quiçá o maior do país, ainda dirigido até por gente boa. Não é que lá também estava estampado um chilique de um velho e conhecido membro do ministério público federal, reiterando pedido de emergência assistencial para saúde aos índios mundurucu… e como sempre para melhor propaganda e pânico geral, logo diz serem crianças contaminadas com o bosta do mercúrio.
E não se refere ao incompetente e malsucedido em ciência, o boquirroto pesquisador, preferindo postar a já renomada e silenciosa na questão, Fiocruz, por sabedora que é, que o tal “cientista” não identificou qual o tipo de mercúrio que tem causado aquele mal não apenas por ali, mas em toda a região.
Ainda bem que estava por conta do “ze bebeu” mesmo e pude dedicar me a pensar como a irresponsabilidade política eivada de jogos de interesse, hoje tão nivelada por baixo culturalmente em exercício de cargos administrativos, presentes nos meios de informação tem causado danos e más influências na sociedade nacional.
Temos em nosso país, os melhores médicos do mundo em medicina tropical e tantas outras naquela região, temos as melhores escolas e engenheiros florestais, assim como agrônomos. Em ciência química nossos avanços são notáveis. Para força de trabalho e conquista de regiões para lá de inóspitas temos os melhores homens do planeta. Invejáveis seus talentos, conhecimentos práticos e tenacidades.
Que desperdício absurdo, de Presidentes, ministros, legisladores e outros gestores, ninguém pergunta nada para eles todos e jamais pedem seus concursos. Ciências, estudo, talento e trabalho aqui não valem porra nenhuma, eita Brasil.
Aos “influencers” alojados em ONGs, que ganham dinheiro, expressão e cargos políticos com as melhores asneiras, até entendo, respeitando verdades desaparecem deixando de enriquecer. E quanto aos políticos, assim procedem, para que não percam simpatias ignorantes e/ou votos, preferindo deixar como está, para ver como é que fica.
Enfim, em respeito a tantos e notórios meios de comunicação, gostaria mesmo de dizer educadamente que muitos propagam inverdades, porém, lamento, não dá, são MENTIRAS mesmo.
Padroeira de nossa Nação, cuidai de nós… mas, nos proteja da má fé dos “burros inteligentes” também.
BH/Macapá, 15/10/2023
Jose Altino Machado