Não, não é fácil alguém interagir, dialogar ou discursar para uma multidão sem rosto. Menos ainda escrever desconhecendo-se o nível de entendimento, envolvimento e até possíveis paixões à assuntos dirigidos de forma pública e que de alguma forma mexem com emoções coletivas.
Assisti dia desse, a um programa global, que trouxe de volta retórica fantasiosa sobre e de índios; sendo bola continuada da vez, os Ianomani. Hoje, ainda em disparada campeã a dar notoriedade e lucros com alcances mais que internacionais.
Uma tragédia não anunciada, como tantos pretendem, mas continuada de forma desprezível e criminosa. Muitos deles tem pagado com a vida, este alcance em noticiários, desfiles em escolas carnavalescas sem nenhum propósito, tempos e tempos em horários de televisão e mais que nefasto, embates políticos para ganhos de públicos apoios.
Sendo todos nós carregadores de comportamentos bem latinos, permitimos na maioria das vezes que razões sejam atropeladas por emoções ou interesses outros, ensejando coberturas não só a particulares utopias, algumas até honestas, mas bem outras, eivadas de muito má fé.
Mas, em dias de hoje, derrotados pela realidade os políticos discursos iniciais do grupo que assumiu, o que se vê é uma continuada ignorância de fatos, ocorrências e por que não de vidas perdidas.
Sempre mais que irresponsavelmente, acharam que o mais importante seria apontar culpados e responsáveis outros de toda a desgraça.
TUDO FICOU E FICA BEM MAIS FACIL SER ATRIBUIDO A COLETIVIDADES ANONIMAS DE MINERADORES CONHECIDOS NACIONALMENTE COMO GARIMPEIROS. Assim consciências de gestores ficam tranquilas e não existindo responsabilizações criminais o assunto morre no discurso e nas telas de televisão. Curiosamente, milhões são ostensivamente gastos em socorros e remédios sem conhecimento do mal ou que jamais buscar as verdadeiras causas da mortandade.
Neste mesmo citado programa global novamente aparece com destaque um notório pseudocientista a anunciar novamente uma geral contaminação mercurial daqueles seres que por azar da sorte são índios e nasceram ianomani; sem nenhum saber ou possível recurso para saírem em busca de uma verdade clínica para seus males. Não só eles como a sociedade brasileira fica com o que dizem os bostas. Sequer repórteres ou mesmo verdadeiros cientistas e médicos outros, questionam buscando saber afinal, que raios de mercúrio é este que na Amazonia está em todos os lugares, do Acre, da Marina, ao sul da Amazonia dos mundurucu, até ao Amapá vizinho do “bunitinho” Macron; um espaço maior que uma Europa inteira. Interessante é que a força maior da extração mineral naquela área não seja ouro e sim cassiterita o mineral do estanho que nunca usa qualquer aditivo químico para sua extração.
O mal maior daqueles seres, são os homens que dizem e apenas dizem defendê-los.
E aproveitando o espaço para passar informações, aquela pista de pouso que todos usam para o assistencialismo assumido, foi construída a poder de enxada na década de setenta (70) por conquistadores daquela fronteira de um país cujas leis proibiam áreas indígenas a menos de cinquenta (50) km delas. Não sendo nossos dirigentes capazes em tempos e máquinas modernas a executarem nenhuma outra melhor.
E mais, naquela ocasião, naqueles altos, não existiam os senhores índios, nômades, que habitavam os inter-fluvios nacionais e venezuelanos, para ali tendo acorrido em busca de melhores sustento o que talvez não tenha sido muito saudável a eles, que a se fixarem sem nenhum cuidado sanitário infectaram não só o lugar, mas suas vidas.
Mas, os conhecendo bem ouso afirmar, observando, que sem manter com eles certo conluio, jamais teriam vizinhos, uma vez que nem entre eles próprios conseguem tal proximidade, permanecendo em aldeamentos com não muito mais de trinta seres vivos, sem nenhum reconhecimento a lideranças unificadas. Mais que curioso, que já se vai praticamente meio século de interação com os ditos “estrangeiros” garimpeiros, não existindo, entretanto, uma única procriação originária dessas proximidades. E seu número jamais foi superior a sete (7) mil; trinta (30) mil só em telas globais.
O que causa maior espanto, tem sido a total ausência de nossa polícia processante e legalmente segurança daquela área. Como explicar morrer tanta gente, sem nenhuma abertura de inquérito para apurar causas, motivos e mesmo responsabilidades do que há anos corridos vem acontecendo?
Bem sei, que ela estava sendo prioritariamente empregada em elucidação de crime no lonjão Rio de Janeiro, talvez por pouco crédito dar ao aparato policial daquele estado, mas acho a Polícia Federal brasileira bem mais apta a cuidar de suas próprias funções do que há servir de porrete político a interesses outros, deixando a incapazes, apurações a quais ela está bem mais preparada.
Inclusive ela é possuidora de departamento técnico científico bem capaz de colocar saber na cabeça do bostas da Fiocruz, não só a origem, mas do que seja contaminação mercurial amazônica. Devendo ainda responsavelmente saber, que apesar da expectativa de vida média ianomani, não ultrapassar 32/35 anos, o que em tempos modernos os tem matado mais precocemente e porque só tem vindo a luz exatamente pela presença testemunhal dos ditos garimpeiros. Tais fatos produtores de fuga de responsabilidades, a justificar por nomeações políticas de homens totalmente incultos ao trato do desastre.
Se tal calamidade honestamente a ser debelada, fosse entregue a estes homens que buscando exemplos de honestos e aplicados servidores da mesma força em passado nem tão longínquo, e trabalhando sem interferências, tudo estaria com as graças de Deus resolvido e mais vidas seriam salvas.
Embora todos saibam que se não garimpeiros, culpariam ao capeta ou quem sabe ao próprio Deus, mas nunca a bárbara ignorância administrativa que assola o Brasil.
Deveriam analisar historicamente a catequese dos Salesianos com Ianomani no alto rio Negro e Ianomani com a politizada ordem Consolata em Roraima… saberiam todos o porquê da expulsão, ainda no Brasil colônia, de certas ordens religiosas.
Consultas históricas não só trariam cultura a nossos políticos “in cause”, mas também a informantes boquirrotos…o que muito facilitaria a arte da comunicação…
BH/Macapá, 07/04/2024