É a incapacidade persistente de obter e/ou manter uma ereção peniana satisfatória (“pênis duro”), para que seja realizada e mantida a penetração até o término do ato sexual. É o que popularmente chamava-se “impotência sexual” até os anos 90 do século passado. No Brasil, pesquisas indicam que cerca de 25 milhões de homens adultos apresentam algum grau de disfunção erétil (DE), com cerca de 11,3 milhões destes apresentando disfunção em grau moderado ou grave (perdem a ereção logo após a penetração ou nem conseguem obtê-la para iniciar o ato sexual).
2) Qual a idade mais frequente e o que causa?
Ela se torna mais frequente a partir dos 40 anos, porém homens adultos de todas faixas etárias podem apresentá-la. Sua origem está associada a múltiplos fatores, como doenças do coração e do sistema nervoso, sedentarismo, uso de medicações ou drogas ilícitas, cirurgias prévias (tratamento do câncer de próstata), além da Síndrome Metabólica (diabetes mellitus, obesidade, hipertensão arterial e aumento do colesterol). Destaque também para as situações psicológicas, principalmente a ansiedade. É importante saber que a causa psicogênica da DE é a mais frequente em homens jovens, correspondendo a 70% dos casos nessa população.
3) O que podemos fazer para prevenir?
A DE funciona como marcador de saúde para o homem, porque tem praticamente os mesmos fatores de risco para o infarto do coração e obesidade. Portanto, o homem que cuida da saúde, com atividade física, alimentação adequada, boa qualidade de sono, somado aos cuidados com a saúde mental e tratamento de doenças de base como diabetes, certamente está contribuindo para a prevenção desta disfunção.
4) Qual o tratamento desta patologia?
Hoje temos inúmeros tratamentos para a DE, desde psicoterapia até o uso de medicações de uso oral chamadas inibidores da enzima fosfodiesterase 5, como o sildenafil e o tadalafil. Existem ainda para casos selecionados o uso de injeções no corpo do pênis ou dentro da uretra (canal onde sai a urina e o sêmen). Nos pacientes mais severos, muitas vezes recorre-se à colocação de próteses penianas.
5) O que é a ejaculação precoce? Ela tem relação com a disfunção erétil?
A ejaculação precoce (EP) é a situação clínica caracterizada pela incapacidade persistente e recorrente de retardar a ejaculação (eliminação do sêmen ou esperma ao final da atividade sexual). Em resumo, o homem ejacula bem antes do que gostaria, gerando insatisfação. Dentre todas disfunções sexuais é a mais comum do homem, com uma frequência aproximada de 30% da população adulta masculina. Em recente artigo científico de minha dissertação de mestrado, foi mostrado que cerca de 36% da população masculina de 18 a 69 anos de Macapá apresentaram algum grau de descontrole da ejaculação (https://www.smoa.jsexmed.org/article/S2050-1161(18)30017-5/fulltext). Homens com EP cujo início ocorre tardiamente na vida adulta (bem após a sua iniciação sexual) frequentemente se queixam de DE concomitante ou de início prévio. Torna-se, pois, imperioso que se faça o diagnóstico adequado de ambas disfunções sexuais, porque o tratamento da EP normalmente é ineficaz até a identificação da DE, com seu tratamento adequado devendo ser realizado por primeiro.
6) A ejaculação precoce tem tratamento?
Sim, ela tem. Apesar de não haver pela ANVISA nenhum medicamento aprovado com indicação específica para o tratamento da EP, muitas medicações são utilizadas indiretamente para o controle da ejaculação, desde medicamentos de uso oral até alguns de aplicação tópica no pênis. Vale lembrar que também há indicação de tratamento de apoio psicológico simultâneo, onde alguns exercícios específicos são estimulados para obter melhora do controle da ejaculação pelo paciente.
7) A disfunção erétil e a ejaculação precoce são distúrbios, que devido ao preconceito, dificultam homens a procurar ajuda profissional. O que você diria para que esses pacientes possam vencer este bloqueio?
Apesar de muitas vezes não identificarmos estas condições como sendo problemas graves de saúde por não levarem a risco de morte, tais disfunções sexuais causam certo grau de angústia ou sofrimento, não só para o próprio portador com também para a sua companheira, prejudicando a vida do casal. Portanto, tratar as disfunções sexuais não somente melhorará o bem estar do casal, mas também estará contribuindo para o cuidado com a saúde do homem em particular.
A satisfação sexual determina importante parte da nossa qualidade de vida. Então se você possui alguma dessas disfunções não perca tempo e venha tratar.
Thiago Afonso Teixeira CRM-AP 925 / RQE 164
Médico Urologista e Professor de Urologia do Curso de Medicina da UNIFAP
Doutor em Urologia pela USP
Mestre em Ciências da Saúde (Epidemiologia e Saúde Pública) pela UNIFAP
Membro do Grupo de Estudos em Saúde Masculina do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP)
Pesquisador do Instituto Androscience – Centro de Ciência e Inovação em Andrologia (SP)
Contato: [email protected]