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A Gazeta do Amapá > Blog > Esportes > Djokovic: ‘Não sou antivacina, mas abrirei mão de torneios se for obrigado a me vacinar’
Esportes

Djokovic: ‘Não sou antivacina, mas abrirei mão de torneios se for obrigado a me vacinar’

Redação
Ultima atualização: 12 de janeiro de 2024 às 08:36
Por Redação 4 anos atrás
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Novak Djokovic disse que prefere perder futuros torneios de tênis do que ser forçado a receber uma vacina contra a covid.
 

Em entrevista exclusiva para a BBC, ele disse que não está ligado ao movimento antivacina, mas que apoia o direito de escolha de um indivíduo.

Perguntado se aceitaria ficar de fora de competições como Wimbledon e o Aberto da França por causa de sua posição sobre a vacina, Djokovic respondeu: “Sim, esse é o preço que estou disposto a pagar.”

O tenista que já venceu 20 torneios Grand Slams em sua carreira foi deportado da Austrália no mês passado, depois que o governo cancelou seu visto em uma disputa sobre seu status de vacinação.

Djokovic, que é o tenista número um do mundo, alegou que havia obtido uma isenção médica para entrar no país para jogar o Aberto da Austrália, pois tinha se recuperado recentemente da covid-19.

No entanto, o ministro da imigração do país, Alex Hawke, cancelou pessoalmente o visto de Djokovic, alegando que sua presença poderia incitar “agitação civil” e incentivar o movimento antivacina.

“Eu nunca fui contra a vacinação”, afirmou ele à BBC, dizendo que tomou vacinas quando criança, “mas sempre apoiei a liberdade de escolher o que você coloca em seu corpo.”

Na primeira entrevista concedida desde que foi detido em Melbourne em janeiro, Djokovic falou à BBC sobre especulações sobre seu caso positivo de covid em dezembro e discutiu sua própria atitude em relação à vacina.
 

Djokovic foi forçado a deixar a Austrália em janeiro depois que o ministro da Imigração pessoalmente cancelou seu visto

© Fornecido por BBC News Djokovic foi forçado a deixar a Austrália em janeiro depois que o ministro da Imigração pessoalmente cancelou seu visto
 

Djokovic disse esperar que os critérios de vacinação em torneios de tênis mudem, acrescentando que espera “poder jogar por muitos mais anos”.

Mas ele também confirmou que estava disposto a abrir mão da chance de se tornar estatisticamente o maior jogador de tênis masculino de todos os tempos porque ele diz ter muita convicção sobre suas posições. O rival de Djokovic, Rafael Nadal, conquistou 21 títulos de Grand Slam — mais do que qualquer outro tenista masculino na história.

Questionado sobre o motivo, ele respondeu: “Porque os princípios de tomada de decisão sobre meu corpo são mais importantes do que qualquer título ou qualquer outra coisa. Estou tentando estar em sintonia com meu corpo o máximo que posso”.

Djokovic disse que “sempre foi um grande aluno de bem-estar, saúde e nutrição”, e que sua decisão foi influenciada pelo impacto positivo que mudanças em sua dieta e em seus padrões de sono tiveram em suas habilidades esportivas.

Ele disse que estava “mantendo a mente aberta” sobre a possibilidade de ser vacinado no futuro, “porque estamos todos tentando encontrar coletivamente a melhor solução possível para acabar com a covid”.

“Eu nunca fui contra a vacinação. Eu entendo que, globalmente, todos estão tentando fazer um grande esforço para lidar com esse vírus e chegar, espero, a um fim em breve para esse vírus”.

Criado em meio a duas guerras na ex-Iugoslávia por pais que venderam o ouro da família e pegaram empréstimos com agiotas para financiar suas ambições, Djokovic é fluente em seis idiomas e é possivelmente o maior jogador de tênis da história; e também um libertário profundamente comprometido, que acredita fortemente na autonomia individual.

Ele claramente pensou bastante sobre o conflito entre a autonomia individual e o bem coletivo — e ele defende que, como um atleta de elite, seu corpo é assunto seu. Ele diz que tem uma mente aberta, mas do jeito que as coisas estão, ele afirma que não vai se vacinar.
 

O que mais ele quer saber?

Análise de Fergus Walsh, Editor de Medicina da BBC News

Mais de 10 bilhões de doses de vacinas contra a covid foram administradas no mundo, e cerca de seis em cada 10 pessoas no planeta receberam pelo menos uma dose. Portanto, há uma riqueza de informações sobre as vacinas. Como todos os medicamentos, as vacinas contra a covid têm potenciais efeitos colaterais, mas seu perfil de segurança é excelente. Elas salvaram inúmeras vidas, preveniram doenças graves e também podem proteger contra a covid longa.

Essas vacinas foram desenvolvidas em tempo recorde, mas grande parte desse processo geralmente envolve atrasos no financiamento. Os cientistas envolvidos nos testes e os agentes reguladores que as aprovaram dizem que não houve riscos de segurança com esses atrasos.

Alguns efeitos colaterais raros só apareceram quando as vacinas começaram a ser distribuídas entre milhões de pessoas, e é por isso que os reguladores continuam monitorando a segurança semana a semana.

É difícil entender o que mais Novak Djokovic precisa ou quer saber. Ele diz que não tem informações suficientes sobre “a vacina” como se houvesse apenas uma delas. Existem muitas. Como atleta de elite, ele tem baixo risco de contrair covid. Mas não zero. Afinal de contas, ele contraiu a doença duas vezes.

Na entrevista para a BBC, Djokovic também abordou especulações sobre os eventos que antecederam o Aberto da Austrália em janeiro.

Alguns sugeriram que era conveniente que o caso positivo de covid de Djokovic em meados de dezembro tivesse ocorrido bem a tempo de ele receber uma isenção médica para participar do torneio.

“Eu entendo que há muitas críticas e entendo que as pessoas apresentam teorias diferentes sobre a sorte que tive ou o quão conveniente é”, disse.

“Mas ninguém tem a sorte e a conveniência de pegar covid. Milhões de pessoas têm covid e ainda estão lutando contra a doença em todo o mundo. Então eu levo isso muito a sério, eu realmente não gosto que alguém pense que eu manipulei algo ou distorci em meu próprio favor para obter um teste PCR positivo e conseguir ir para a Austrália.”

Perguntado se ele estava ciente de qualquer tentativa de adulterar qualquer um dos testes que ele havia feito para covid — no início deste mês, uma reportagem da BBC havia lançado dúvidas sobre o caso — ele disse categoricamente que não.

Ele também falou sobre o tempo que passou detido em Melbourne no mês passado.

“Fiquei muito triste e desapontado com a forma como tudo terminou para mim na Austrália”, disse ele. “Não foi fácil.”

Seu pedido de isenção médica foi feito anonimamente e havia sido aceito por dois painéis australianos independentes. No entanto, em uma declaração de viagem separada havia um erro.

“O erro de declaração de visto não foi feito deliberadamente”, disse Djokovic. “Ele foi aceito e confirmado pela Justiça Federal e pelo próprio ministro no Ministério da Imigração da Austrália.”

“Então, na verdade, o que as pessoas provavelmente não sabem é que eu não fui deportado da Austrália porque não fui vacinado, ou quebrei alguma regra ou que cometi um erro na minha declaração de visto. Tudo isso foi aprovado e validado pelo Tribunal Federal da Austrália e pelo Ministro da Imigração.”

“A razão pela qual fui deportado da Austrália foi porque o Ministro da Imigração usou seu poder para cancelar meu visto com base em sua percepção de que eu poderia criar algum sentimento antivacinas no país ou na cidade, do qual discordo completamente.”

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