Há de se ter uma prática ou hábito de ao final retroagir ao início para dar laços festivos nos idos que estão por vir. No dia 31 de dezembro é quando de forma costumeira o passado, o presente e o futuro fazem uma conexão poderosa para florir os sonhos, perspectivas e colheitas.
Não se trata a cada ano de finalizar simplesmente um ano, contém ele a soma, talvez multiplicação, de todos os anos e eras, de todas as primaveras e outonos, bem como, de todos os verões e invernos, onde coexistiram chegadas e partidas, inúmeras esperas ou saudades vividas.
Volto a sutil pergunta de meu Ser sobre o caminho atapetado com pétalas de rosas perfumadas e algumas conotações se apresentam. Indicaria uma jornada com cartões de crédito ilimitado na qual baús de tesouros se abririam ao longo do percurso para que eu pudesse usufruir de todos os luxos?
Ou seriam um percurso em que encontraria amores e paixões em diferentes temporadas em pura adoração para alegrar o meu coração? Talvez sucesso e aplausos aos meus encantos e feitos, inclusos toda sorte de desvios e defeitos possíveis de se manifestarem na rota de um sujeito rumo à arrogância e ostentação?
Enfim um caminho sem dor, tropeços ou enigmas para decifrar, apenas avançar na direção direta do sucesso esperado.
Oh, não.
Isso seria um mundo de alienação.
Um Caminho Atapetado Com Pétalas De Rosas Perfumadas é aquele em que a Natureza celebra com perfumes de flores minhas pegadas (ou seja as de quem for), seja quando com um espinho fere meus pés sem clemência e transformo tal dor, não em fatalidade que possa me impedir de continuar e ao todo admirar; mas, em oportunidade de parar, acalmar o coração, observar, respirar, e limpar a trilha para que outros caminhantes possam seguir rápido traçando seus destinos sem desatinos.
E do centro do meu ser o caminho abre espaços lá fora na proporção em que faço meu sobrevoo sobre as incertezas, angústias, perdas e desenlaces, desencontros e terrenos fracassos em meio a inundações, terremotos e guerras que assolam a Terra sem que se respeite a voz das Eras.
Rosa, rosa flor, observo-te. Continuas a agregar de tua essência, em silêncio, as energias em forma de botão de onde surgirão pétalas em explosão de cores e perfumes para despertar o mundo em atos de inspiração expressos em canções, poemas e sinfonias advindos da beleza dos jardins e floridos caminhos.
Inspirada no caminho, transmuto-me em poesia a cada dia, dia após dia e noites de vigília e todos os segundos são de bençãos e alegrias não importa o que a porta tranca ou espia.