Deve ser realizado a partir da consciência social, cultural e política das comunidades envolvidas. A valorização da cultura africana, ao ser transposta para o Brasil, deve ser entendida em seu eixo histórico, para se compreender a riqueza e as dificuldades por que essas culturas passaram ao longo do período colonial até sua situação atual, como protagonista na sociedade, em geral e no turismo, em particular.
A história do negro no Amapá infelizmente é cheia de lacuna. Os únicos registros são documentos e a maioria encontra-se fora do Amapá. A cultura, a tradição, a religiosidade transpassaram a barreira do tempo e como resistência o povo negro conseguiu manter a ancestralidade.
“O primeiro foco de povoamento essencialmente para o Amapá, com inclusão do negro, aconteceu a partir de 1771, quando cerca de 114 famílias de colonos lusos oriundos da costa africana, em decorrência de conflitos político-religiosos gerados entre portugueses e mulçumanos, foram transferidas, juntamente com seus escravos.”
O racismo estrutural apaga as pessoas negras da história, e nas cidades não é diferente. Quando andamos na cidade não se vê nossos parentes pretos, trabalhadores e trabalhadoras dando nomes às ruas, escolas e praças. Não somos representados. Somos invisíveis!
Aos poucos estamos nos conscientizando que precisamos fomentar o turismo na história afro-amapaense. Infelizmente o governo do Estado ainda não percebeu a importância do turismo no sentido amplo e muito menos no Afro turismo.
Falta incentivo da parte dos gestores públicos e principalmente apoio logístico e técnico para que toda a sociedade perceba o quanto há de riquezas a ser exploradas para desenvolver o turismo interno e externo. Precisamos profissionalizar o afro turismo no Amapá. Temos potencial e mão de obra qualificada. Falta visão para o Governo e Prefeitura.
O governo do Estado precisa incentivar a iniciativa privada e também desenvolver projetos simples e viáveis. A nossa orla e o trapiche Eliezer Levi. Infelizmente o gestor não pensa na cidade, pensa em agradar o seu eleitor.
Pensemos no quilombo do Curiaú, Mazagão Velho, Igarapé do Lago, Maruanum, Macapá entre outros lugares. A Lagoa dos Índios, a Fortaleza de São José, a antiga Igreja de São José, a UNA, os barracões que fomentam o Marabaixo e o Batuque.
Quem conhece as riquezas das Casas de Umbanda e Candomblé em Macapá? São histórias contadas através de imagens sagradas, símbolos, rituais sagrados e vivencia da ancestralidade.
O Amapá tem riquezas, histórias e lutas para contar. O Amapá não tem só histórias de opressão para contar. Precisamos destacar, dar nomes a personalidades negras que contribuíram para o desenvolvimento do estado.
Se a sociedade assim perceber e reivindicar da parte do Estado, políticas afirmativas que protagonize e incentive o afro turismo. Assim poderemos atrair a atenção para a nossa rica cultura e história afra descendente no Amapá.