Edgar Allan Poe (1808-1849) foi um poeta americano nascido em Boston, em 19 de janeiro de 1809. Filho seus pais eram atores de teatro, órfão de mãe, foi abandonado por seu pai. Foi acolhido por uma família bem posicionada financeiramente em Baltimore, na Virgínia, que lhe proporcionou uma educação de qualidade, com os melhores professores da época. Poe ingressou na Universidade de Virgínia, destacando-se no estudo de Línguas Românticas, antigas e modernas. Demonstrou interesse desde muito cedo pela literatura, e sua carreira de escritor começou pouco depois de abandonar a Universidade, com a publicação de uma coleção anônima de poemas, que recebeu o nome de “Tomerlane and Other Poems”, em 1827.
Foi convidado a dirigir a revista “Southern Literary Messager”, a qual promovia concursos de conto e poesia, vencidos por Allan Poe. Durante dois anos esteve à frente do periódico, onde publicava contos, poemas e artigos de crítica literária. O poeta teve muitos problemas por conta de seu vício em bebidas, o qual fez ele perder vários empregos, e com a morte de sua amada esposa, seus problemas se agravaram muito mais. Nesta mesma época Poe se vê obrigado a produzir como freelancer, porém sem grandes resultados.
Edgar Allan Poe Faleceu, em decorrência de doenças causadas pelo uso exagerado de bebidas alcoólicas, em uma taberna de Baltimore, no dia 07 de outubro de 1849. Ele deixou diversos poemas, contos, romances, temas policiais e de horror. Muitas de suas obras abordam a temática do sofrimento causado pela morte, pois ele acreditava que não existia nada mais romântico do que um poema escrito sobre a morte de uma mulher bonita. Mr. Poe é considerado o criador do conto policial, Ele foi inspiração para a criação de Sherlock Holmes de Sir. Arthur Conan Doyle e suas obras foram um marco para a literatura norte-americana contemporânea, influenciando posteriormente diversas gerações de escritores.
A vida do autor e poeta Edgar Allan Poe não foi das mais fáceis e, muito provavelmente, essa foi a fonte de inspiração que se transcreveu em suas obras, já como era bastante familiar com o abandono e a morte desde sua mais tenra idade. Consagrado como um dos maiores expoentes do movimento Romântico Norte-americano, seu poema “O Corvo” é o mais conhecido, e das traduções para a língua portuguesa, as mais conhecidas são a do poeta Fernando Pessoa, como também a tradução do incrível Machado de Assis, que na minha opinião são as melhores, porém a tradução de Pessoa é a mais fiel ao texto original, pois Machado opta por deixar a estrutura formal de lado e ater-se mais ao conteúdo, não à forma, ignorando características formais que são importantes para o efeito do poema sobre o leitor.
Edgar Allan Poe justificaria a gênese de sua obra-prima, o seu poema “O corvo”, com uma frase que traz em si a característica marcante de sua obra e que faz com que esses versos hipnotizantes sobre perda e desejo, escritos de modo tão calculado pelo mestre do terror há quase dois séculos, tenham merecido tantos elogios e tamanha controvérsia: A morte de uma mulher bela é, sem sombra de dúvida, o tema mais poético do mundo.”
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu’ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P’ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais –
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Um poema Romântico, que nos mostra um Eu Lírico sofrendo pela morte de sua amada, Leonora, o que faz o corvo aparecer para ouvir as queixas do personagem, sempre atestando que “Nunca mais” (uma das frases mais icônicas do poema) que se repetirá no final de cada estrofe. O contexto do poema faz com que ele se torne grandiosíssimo, pois no final das contas, aquele corvo, ave tão perspicaz, dizia, que o narrador e homem que tanto amava sua amada nunca mais a veria, por mais lamentos derramados. Daí a frase “nunca mais” que expressa muito bem no poema, a morte.
“Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta! –
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida, se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!”
Disse o Corvo, “Nunca mais”.
Ao ver o corvo, o narrador-personagem relembra seu significado como mensageiro, ou seja, mensageiro de Hades, deus do submundo dos mortos. A estranha presença deste desencadeará diversos de seus conflitos interiores. Percebe-se, no conflito do poema, um homem perturbado pela morte se sua amada Leonora. O poema tem como ponto principal abordado a devoção eterna, devoção essa trazida pelo amor incondicional do narrador à sua eterna amada. Ele faz o questionamento de um conflito bastante humano, que é a questão do lembrar e do desejo de esquecer. O narrador diz que a fala do pássaro “nunca mais” é a única conhecida por ele.
A morte do ser amado, é o que acarreta descobertas de verdades sombrias sobre si mesmo até uma morte não libertadora, prendendo o Eu Lírico ao mundo de dor no qual ele se encontrava com sua morte. O poema sendo uma obra literária, deve ser sentido e se deixar compreender da forma como se é tocado, mas há que se reconhecer a sua intensidade e capacidade de mostrar que uma dor é levada até mesmo além-túmulo. O poema é simplesmente impecável, lindo no acabamento e perfeito no conteúdo, específico para fazer o leitor entender um pouquinho mais do universo de Edgar Allan Poe.
Mais do que ler um poema e refletir sobre ele, vale a pena conhecer o contexto da época, as visões de mundo do autor e também o processo de criação. E são esses elementos que fazem O Corvo ser incrível: destrinchar não apenas o significado oculto, as metáforas e sentidos dos versos de Poe, mas conhecer todos os caminhos possíveis que o levaram a esculpir sua obra-prima. Desta forma, O Corvo é, além de um poema, uma das fortes evidências do talento e genialidade de Edgar Allan Poe.
“Que esse grito nos aparte, ave ou diabo”, eu disse. “Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!”
Disse o Corvo, “Nunca mais”.
E o Corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda,
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais.
E a minh’alma dessa sombra que no chão há de mais e mais,
Libertar-se-á… nunca mais!
Dedicado ao meu filho e escritor Gabriel Maia