Não negaste teu estresse pós-traumático resultante da violência doméstica a que foi submetida durante teu primeiro casamento. Enfrentou, não se calou, não se vitimizou, mas alertou para fatos a que muitas mulheres são submetidas. Acordou muitas, sacudiu as hipocrisias das relações submissas, fez saber de que certas atitudes, a violência física e psicológica de quem diz nos amar é dos piores crimes, é danosa , sufoca. Não dá para aceitar, não dá para compactuar.
Viveu tua dor com a força de quem busca a alegria, a esperança em novos dias, novos encontros, outros encantos e espalhou cantos pelos quatro cantos do mundo. Não negou a trajetória de infâmias e covardias que sofreu; no entanto , iluminou olhos e corações com a força da reação baseada no olhar límpido e na gratidão pela vida.
Teu exemplo de vida , é difícil dizer isso, pois tua música é reconhecia, merecidamente reconhecida, e aplaudida nos palcos de todo o mundo; mas digo, teu exemplo de vida foi uma voz mais alta e ressonante do que a música com a qual a tantos embalastes. Tu és The Best porque compreendeste a essência da vida.
Sim, são tuas atitudes e palavras que me fazem concluir isso. Tu tinhas pesadelos com o ex-marido, tal foi o trauma das maldades (E qual mulher não os teria ou tem?) . Todavia, eis o segredo, o mistério da tua beleza, tua reação foi sábia e amorosa contigo. Deixou-o no passado e trilhou uma nova estrada em que, conforme mostra em teu documentário, optou por ti, pelo perdão e pela gratidão: “Dói ter que relembrar aqueles momentos, mas a certa altura o perdão toma conta, perdoar significa não ter que segurar. É deixar ir, porque só te machuca. Ao não perdoar, você sofre, porque pensa nisso sem parar. E para quê?”
Sou tua fã, Tina Turner. És imortal. Tu quebraste cadeias e grilhões de várias fontes e fósseis humanos e culturais e tu fostes simples na alegria e energia multiplicada e dividida