Faltou para a UNA profissionalismo e gestão compartilhada. Alguns membros fundadores morreram, outros se afastaram e outros desistiram de buscar transformações que estivessem segundo o que prescrevia o estatuto de fundação.
Sem competência, projetos e responsabilidade nada se constrói. A UNA é uma Entidade sem fins lucrativos e, portanto todos que passaram pela administração foram voluntários. Para gerir uma ONG é preciso muito amor, tempo e entrega absoluta naquilo que se propõe realizar. Sozinho nada se faz. Celebramos 26 anos e a UNA cumpriu o seu papel.
A coragem da equipe que organizou o XXVI ENCONTRO DOS TAMBORES deu um novo rumo para futuro do movimento marabaixeiro e porque não dizer do movimento negro no Amapá.
O movimento do samba capitaneado pelo mestre Carlos Pirú, as lives dos grupos marabaixeiros, o Ciclo do Marabaixo online, o movimento das mulheres, grupos de arte e raízes como da professora Nega Áurea e Mestra Esmeraldina são exemplo de resistência.
A presença do Mazagão Velho na celebração dos Quilombos, mostrou uma nova direção pro polvir. Os que não perceberam vão ficar de fora. Precisamos entender os sinais dos tempos. Aprender com os velhos, mas também com os novos. Essa pandemia veio desvendar muitas ilusões. Lá atrás querendo, gostando ou não, o Pirú, a Núbia, o Iury, a Mestra Naíra, Cirley, Josilana Santos, Claúdio Rogério, Pai Salvino e outros, assumiram o espaço da UNA e provaram que quando se quer nós podemos.
As comunidades do interior estão se empoderando. Não estão mais aceitando tudo calado. Todos e todas querem ser escutados e respeitados. Quem faz acontecer o movimento não são os técnicos, são os grupos e as comunidades.
É bem verdade que sem a coordenação dos técnicos de direção, de arte, fotografia, cinegrafistas, técnicos de som, de figurinos, som vamos continuar improvisando e fazendo um espetáculo amador.
Urge avançar, caso contrario, vamos adiar o novo e outros farão sem nós e contra a ancestralidade e a nossa história. O toque do tambor conecta gerações e isto ninguém pode impedir. Podem apagar os fatos, mas as memórias afetivas, os sentimentos, as marcas, as lutas, essas sim hão de permanecer para sempre.