Coisas simples, as mais comezinhas, nunca deixaram de serem observadas ao levar em conta seus preceitos. Do comer à mesa, à maneira de sentar, cabeça sempre a descoberto, sem camisa nem pensar, um claro português e nunca palavrão, nem o mais fraco deles. Tudo coisa bem dela… Pai era mais tolerante, embora ambos intolerantes para com a mentira. Admitiam sagina im, a omissão da verdade, quando ela pudesse causar mágoa ou dor. Cultivaram juntos ao exagero, o dom da integridade familiar, dando grande ênfase aos princípios de lealdade a amigos e a quem convivesse conosco.
E assim ficamos todos nós. Alguns com defeitos bastantes, mas todos com personalidade suficiente para discernimento entre o respeito, o justo e honesto. Nunca importando o lugar, a gente ou ambiente…
Ainda outro dia fui alvo merecedor de quinze minutos de fama. Aconteci destaque junto a um irmão em prestigiosa coluna social de nossa cidade. Entre fotos e muitos outros personagens fomos destaque na página intitulada “No buchicho da parada gay”, mesmo sem dela fazermos parte. Quanta gozação!!! Choveu telefonemas e sacanas trotes.
José Altino
Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas.
No entanto, foi um momento inteiramente à parte, onde o berço e a estrutura familiar falaram bem mais altos e assim pude tranquilamente participar com olhos, muita compreensão e respeito a toda aquela contagiante alegria que assistia à nossa volta. O mais intolerante dos homens não poderia nunca se permitir não admirar o contentamento de cada participante legitimo, em externar ali meio a multidão sua melhor opção. Quedei-me maravilhado com a espontaneidade, o sorriso fácil e a naturalidade da beleza buscada. Momento algum me senti mais ou menos homem. Era só eu mesmo, com mulher e filhos no êxtase do instante.
Em todo extenso aprendizado herdado, um tornou-se extremamente marcante: o respeito à opinião, à tradição e à história alheia. Por isso tanto cultuo meus desejos, para que não aconteça o que tanto me horroriza realmente: ter uma vida inútil ou mesmo ter sido inútil ter vivido. Nada pior…
Ainda outro dia, na despedida de um pedaço da história de nossa cidade e região, fundador e duradouro presidente da União Ruralista, ao seu velório muitos no “conversatório”, nenhuma homenagem ou respeito maior. No enterro só a voz embargada do neto, acompanhada com presença da fiel e antiga secretaria com dois possíveis e mudos diretores da referida União.
Bem por isso, peço aos meus, não façam isso comigo, espero não merecer tal menosprezo. Quando me for que lá vá alguém para dizer que eu suma ou que parta na saudade, mas em paz. Pode até ser um amor esquecido ou um gay assumido…desde que sinceros. Estejam lá!!