1- Como começou sua trajetória política? Nos fale da sua história.
Em 2012 fui vítima de violência doméstica, depois de ter ficado por quase 10 anos casada. Travei o bom combate a procura de justiça. Em 2013 fui convidada a me filiar a um partido politico onde eu pudesse dar voz a todas as mulheres que passaram pelo o que eu passei. No ano seguinte me candidatei ao cargo de Deputada Federal, fiquei como Primeira Suplente, fui a Décima terceira mais votada no Estado, com 9.678 votos, nunca havia concorrido a nenhum cargo, não venho de família de políticos, apenas fui as ruas ouvir as pessoas, saber das suas necessidades e também contar a minha história, assim fazer com que elas entendessem que poderíamos construir uma nova realidade na política e ter um Estado que respeite seu povo.
2- O Amapá (diríamos até o Brasil) conheceu o nome de Patrícia Ferraz publicamente após esse episódio de violência doméstica que você viveu. Você diria que isso te fez mais forte?
Eu posso dizer que sim, pois quando você é agredida por ser mulher, mãe e fisicamente mais frágil, você busca força em Deus, no seu filho e na sua família, porque precisa ser forte para se levantar e principalmente, tirar de cada experiência dolorosa o aprendizado.
Eu aprendi muito com as marcas deixadas no meu corpo e na minha alma após cada agressão que sofri. Hoje eu sou uma mulher mais forte, guerreira e determinada, pois tenho um filho, o Matheus, e eu quero que ele olhe para mim e não me veja como vítima, mas sim tenha orgulho por eu ser sua mãe.
3- Sabemos que você é dentista. Vida profissional e política divergem nesse novo caminho traçado? Alguma das duas é deixada de lado?
Nenhuma das carreiras foram deixadas de lado. Enquanto parlamentar eu era a única dentista na Câmara dos Deputados, inclusive, protocolei vários projetos que beneficiam toda a classe e a população.
Exemplo disso é o projeto da Teleodontologia que institui ações de tratamento à distância para os profissionais da odontologia e coautora do PL 883/2019 que institui a odontologia hospitalar.
4- Se você precisasse eleger três bandeiras principais de luta, quais seriam?
Saúde, Geração de emprego e renda, Educação e Segurança Pública.
5- Nos últimos meses, enquanto assumiu como suplente na Câmara Federal, o trabalho não parou. Mesmo em pouco tempo, o que foi possível fazer em prol do Amapá?
Em 200 dias de mandato como Deputada Federal, protocolei mais de 50 projetos de lei como autora e coautora, e 04 projetos de lei sancionados pelo Presidente da Republica, totalizando 116 propostas legislativas. Todas elas abrangem de forma direta os Amapaenses, além disso, conseguimos trazer para o nosso Estado através da Cruz Vermelha do Brasil com a maior ajuda humanitária da história, foram 50 toneladas de alimentos, suplementos, remédios e produtos de higiene.
6- Notou-se que você assumiu uma postura bem mais crítica nos últimos tempos, em constante cobrança do poder público. O que lhe incomodou mais no dia a dia do trabalho em campo? O que urge por mudança?
O que mais me incomoda é saber que se recebe tanto dinheiro de emendas individuais, emendas de bancada e apoio do Governo Federal, porém sabemos que esse recurso não está chegando a quem de fato precisa, as pessoas estão sendo tratadas sem respeito, sem dignidade. A gente chega nos hospitais e não tem nem seringa.
A população do nosso Estado principalmente as das áreas mais periféricas não possuem saneamento básico, não tem emprego e muitas das vezes nem o que comer e isso me machuca profundamente.
Eu gosto de sair e ir até o povo, conhecer de fato a realidade que eles vivem, só assim podemos transformar essa realidade.
Ser política de gabinete não combina comigo, porque no gabinete é muito fácil você trabalhar, está em sua cadeira e no conforto do ar condicionado, agora ir para rua ouvir as necessidades do povo, são poucos os que fazem.
Eu critico não por criticar ou por fazer oposição, sempre critico mas apresento soluções.
7- Você é pré-candidata à Prefeitura de Macapá? Como tem sido o diálogo com possíveis aliados?
Ser pré-candidata a Prefeitura de Macapá, é algo que eu tenho pensado com muito carinho. Sou presidente Estadual do Partido PODEMOS a quase um ano. Tenho recebido muitas mensagens nas minhas redes sociais pedindo para que eu venha como candidata, acho que isso se deve pelo trabalho que desenvolvemos nesses 200 dias de mandato como Deputada Federal.
Se for da vontade de Deus e do Povo que eu seja candidata a prefeita, as alianças serão feitas com a população e com as pessoas que tem o mesmo objetivo que nós temos, que é fazer de Macapá um lugar bom para se viver, com oportunidades, com gerações de emprego e um lugar onde a saúde seja digna, onde as pessoas não morram por falta de remédios e leitos.
Então, as pessoas que estão na politica e que fazem uma política do bem, que ajudam de fato a população e queiram se juntar a nós, estamos de corações abertos, pois queremos fazer diferente e buscamos pessoas com o mesmo objetivo.
8- Prefeito Clécio, na sua opinião, deixará qual legado para seu sucessor na capital?
Prefeito Clécio fez um mandato de 8 anos, focou em alguns pontos, mas esqueceu outros que precisam melhorar, algumas promessas de campanha foram cumpridas e outras não.
Acredito que o que ficou de bom deve continuar e o que não foi realizado o novo Prefeito ou Prefeita deve fazer, pois Macapá merece ruas com asfalto de qualidade e bem sinalizadas, merece uma saúde básica de excelência, Macapá precisa de um Pronto Socorro Municipal pois só temos o Hospital de Emergência.
Foi prometido a conclusão do Hospital Metropolitano, mas não foi cumprido, por isso há muito a melhorar.
9- Porque você acha que Macapá ainda não teve uma prefeita mulher eleita?
As mulheres ao longo do tempo mesmo que timidamente vem se inserindo mais e mais na política, nós já tivemos candidatas a prefeita, mas agora é um novo tempo, vejo que Macapá quer e precisa de uma mãe, uma mulher que possa olhar com olhos de carinho e cuidado como uma mãe cuida de um filho. Acho que agora é a hora, o povo já entendeu que Macapá e o Amapá precisam de políticos mais sensíveis, com amor de mãe.
10 – Recentemente houveram atritos entre você e alguns membros da imprensa local por seu posicionamento crítico ao trabalho desenvolvido por alguns colegas. Quais são suas críticas ao segmento?
Hoje eu quero agradecer a parte da imprensa que sempre me acolheu, sabemos que existe o Joio e o Trigo, existe a parte boa e a parte ruim, como em todas as profissões.
Atualmente estou em um momento da minha vida que eu quero transformar a guerra em paz, viver em paz com as pessoas é o que mais move o meu coração, independente de quem quer que seja. Estou aqui respondendo essa entrevista com muito carinho e gratidão, pois vocês da A gazeta sempre me trataram com muito respeito.
Agora aqueles que me criticam e me atacam, infelizmente não me conhecem, porque eu sempre trabalhei muito amor e compromisso, sempre honrei aquelas pessoas que confiam e acreditam em mim.
Não me importo de ser criticada, isso me faz melhorar, mas desde que seja construtivo e com respeito. A todos os profissionais da imprensa que me respeitam, a minha gratidão eterna.
11- Em tempos de pandemia, como você enxerga o processo eleitoral desse ano?
Já foi aprovado no Senado a mudança da data da eleição para o dia 15 de Novembro, logo será uma eleição muito à típica, onde os candidatos terão que mostrar de uma forma mais virtual o seu trabalho, não haverá aquela movimentação corpo a corpo, mas eu tenho certeza que através do brilho em nossos olhos, através dos posts nas redes sociais, as pessoas irão captar o nosso carinho e a nossa vontade de trabalhar e fazer a mudança que Macapá tanto precisa.
A população terá que ir as urnas tomando todos os cuidados necessários para evitar a contaminação, pois acredito que ate novembro infelizmente ainda não teremos uma vacina que possa nos proteger desse vírus.
12- Acredita que tem incomodado quem está no poder? Como tem sido a vida após assumir a postura de oposição?
A minha vida continua a mesma, eu sempre lutei e batalhei pelo o que eu acredito, nunca faria oposição só por fazer ou por querer algo em troca, apenas mostrei a verdade da nossa população, aquela que precisa do serviço público, que sofre por falta de amparo social. Todos os dias uso as minhas redes sociais para mostrar e ser a voz daqueles que mais precisam.
Então fiz uma oposição para a gestão que não cuida das pessoas. Eu sempre continuarei sendo a voz do povo aonde quer que eu esteja, eu não preciso da tribuna para mostrar aos quatro cantos do Amapá e do mundo o que a nossa população passa de verdade. O que o governo e a prefeitura fazem de bom eu elogio e o que fazem de ruim, eu critico e mostro soluções.