É um parto.
É “partir”. Partir para onde? Como? Por quê?
Este é um verbo complexo, um fazer que desfaz ou talvez um desfazer-se de partir-se em meio às tempestades de sentimentos ou falta de discernimento, ou, diriam outros, de lucidez exacerbada.
Também ocorre de ser, por vezes, um partir sereno em terreno nivelado com flores nos jardins e acenos nas janelas, aeroportos e estradas.
Transita por vários âmbitos de ações e falas, entremeadas de mudez e algazarra ou de descrição e celeumas…
Bitransitivo nos oferece a direção e o fato.
Intransitivo, normalmente nos deixa parados no meio das circunstâncias, repleto de nuances sem aclarar os desígnios que se dirá dos destinos das palavras uma vez lançadas a mergulhar nos espaços até que alguém as decifre com seus sentimentos e raciocínios – um novo parto, uma nova vida.
Escrever é gestar sentimentos e realidades, conclusões e percepções regadas pelas vivências com um olhar que se encanta com o canto da vida, embora , às vezes, dolorido, como um parto induzido.
Viver é gestar o “partir”.