Achei adequado na ocasião e continuo achando coerente o arrazoado contrário a certas idéias cabeludas. Pelo menos, causou muita repercussão as posições antagônicas que eu externava…
Mesmo assim, quando, àquela época, procurei um deputado do Paraná, que presidia a comissão sobre a questão do Sivam e também das “derrubadas aéreas”. Se não me falha a memória, de nome Pizzato, e de todas as minhas argumentações sobre Sivam e tiros em aviões, ele observou apenas sobre o que somente lhe pareceu interessar: – Zé Altino, você agora vai defender traficante? Veja só, isso não farei jamais!
Respondi na bucha: – Não seja demagogo comigo, pois você não vive na Amazônia, não tendo as mesmas preocupações, a mesma ótica ou o mesmo raciocínio que tenho. Mas, não posso admitir que você queira para minha região, a Amazônia, onde vivo e também meus amigos, uma coisa que você não aprova para seu Estado, o Paraná. Você não autoriza e não defende a pena de morte para seu lugar, mas passa a querer aplicar a nós medida extrema. Quanto aos cidadãos nacionais, têm que buscar uma compreensão comum, principalmente levando em conta o pensar das comunidades e facções atingidas. O que não desejam, em definitivo, para si e suas famílias, que não queiram para outros distantes. Todos nós sabemos dos erros e também de algumas contrariedades que geramos, mas não queremos, de maneira alguma, que todas as coisas que venham para a Amazônia tenham origem, imaginação e fundamentos que ligam na generalidade, os habitantes e povos que lá trabalham ao crime e à ilegalidade. Não temos de partir apenas da contenção ao delito, para acreditar fazer qualquer coisa boa na região. Não temos de montar um elenco errado, de defesa em leis, para deter o mais errado. Leis existem para garantir a presença da ordem, da vontade da maioria, da busca da felicidade, da quebra das desigualdades, da segurança patrimonial, do desenvolvimento adequado ao ambiente etc. O mal, na maioria das vezes, é uma questão de polícia e aplicação de código penal, quando não, combate feroz a corrupção.
Sempre que expunha e advogava essa causa ficava aborrecido por julgar que deveria ser a Força Aérea, que era a grande mentora do Sivam e gerenciadora do Departamento de Aviação Civil, a primeira a defendê-lo, sendo que, no entanto, lamentavelmente, se deixou levar na correnteza das opiniões contrárias. Talvez, pelo fato de num primeiro momento, parecerem mais simpáticas.
Tais preocupações ficaram apenas para o período de Délio Jardim.
Sinceramente, apesar de muitos discordarem dentro da própria força, acho que Eduardo Gomes, Délio e alguns outros poucos Brigadeiros, sem dúvida, foram os últimos grandes homens que gerenciaram a FAB. Não somente em termos de forças armadas para segurança, mas como instituição, garantindo o pleno gozo do funcionamento natural de comportamento, disciplina e integração do povo e seu espaço aéreo. Auxílio valioso e forte na construção da nação brasileira.
Realmente, causou espanto esse novo comportamento da Força Aérea. Na repentina resposta se vê que eles criaram um vazio tão grande em torno de si, que agora estão se retirando de tudo e do nada que deixam.
Até quanto ao Departamento de Aviação Civil, o próprio Governo propõe criar uma agência civil para tomar conta do sistema aéreo nacional, devendo também tirar todo o controle de operação do Sivam. Este ficará submetido, em obediência cega, ao controle dos norte-americanos, enviando as informações daqui primeiro para eles, no Haiti, para depois, as termos para nosso uso. Pelo menos, é o que se diz, e precisa ser revisto.
O Correio Aéreo Nacional escreveu lendas para entregar uma carta, mas, sua criadora, a FAB, não tem feito muito para evitar que agora se entregue de alguma forma a soberania brasileira nessas questões lá fora.
Ela perdeu a imaginação e muitos de seus afastados membros se meteram numa infinidade de negócios paralelos. Os que ficam, participam pouco de discussões do limite invasor de nossa soberania e assim agindo para o aumento da nossa fraqueza.
Acho mesmo que os governos militares, no período conhecido como ditadura, tanto usaram as palavras “soberania nacional”, que ficaram estigmatizadas como sendo só deles!!!. Como isso fosse possível. Pelo menos na Amazônia, se- entende como soberania, quem manda, quem dita, quem fala, quem põe e quem faz acontecer. Realmente, se nos dermos conta, hoje, já não somos tão soberanos em relação a ela. Nas seqüências presidenciais e nas de administrações públicas no Brasil, tem-se pautado mais pelas opiniões externas, de mandatários externos, do que, propriamente, em nome do nosso interesse e muito menos, pelos povos que ali estão vivendo.
José Altino
Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas.