Saber das nuvens a razão das chuvas.
Saber do grão o destino da plantação.
Saber dos ventos o porquê dos movimentos.
Eu sou assim, nasci assim, quero saber.
Saber de mim, de ti, de nós conosco,
do luminoso e do fosco, além do lusco-fusco.
Saber do agora e da memória de trajetórias.
Eu sou assim, respiro assim, quero saber.
Saber do amor em qual sonho vou viver,
da esperança qual aventura, circunstância ou acaso,
abraçarei com alma em vendaval de miragens.
Eu sou assim, às vezes estranha, às vezes íntima,
quero saber o aroma único, a gota do perfume,
o breviário que resume o inextinguível Ser.
Quero saber, saber, saber.
Eu sou assim, presença e ausência imemoriais.
Quero saber o sabor da romã, da maçã,
da uva pendente nos parreirais, do chá de hortelã
com frescor de manhãs…
ou de tardes de monções na Ásia Central.
Eu sou assim, quero saber do embalo das emoções,
da sapiência qual a frequência, da harmonia a onda,
da alegria o tom, da saudade … Quero saber.
Oh, quero saber onde me e te encontrar.