Contou que, com o calorão, um cavalo “desmaiara” baixo a sela de um jovem peão e nada o fazia voltar a si. Imediatamente surgiu um velho, que se prontificou ajudar. Abaixou-se próximo a orelha do animal e sussurrou qualquer coisa. O eqüino prontamente pôs em pé, totalmente recuperado. Surpreso, o novato cavaleiro e também dono do bicho, queria porque queria, saber o que ele falara. A explicação causou muito espanto, mas foi acreditada. Com a insistência, o homem confessou ter dito ao ouvido do “desmaiado”, que os fofoqueiros de plantão haveriam de espalhar, que ele era frouxo e castrado, dando inclusive o nome do maior fofoqueiro da cidade.
No dia seguinte, outro animal no chão. O rapaz, aprendiz de ontem, eufórico, chegou com um “deixa comigo”, repetindo a cena que presenciara do mais experiente. Falou a mesma frase, dando novo nome. O cavalo logo estrebuchou e morreu. Apavorado, saiu em embalada carreira à procura do tal professor de ocasião. Encontrando-o, relatou o incidente nos mínimos detalhes, dizendo até o nome que falara. Estarrecido, ouviu de volta: – “Menino, mataste o cavalo, o nome que usaste, é dose somente para elefantes. ”
Fernando, que de otário só tem a cara, gozador, teve que se acautelar com o proprietário do nome mensageiro da morte, que com seus cabelos brancos, estava bem ali e o olhava carrancudo, com raiva quase homicida. Alguns atestam que o caso foi verdadeiro. Outros, que Pimenta queria apenas encher o saco do loquaz boquirroto.
Na verdade, todo esse folclore, vem da velha inconsequência de alguns brasileiros, não só em falar um pouco além do necessário, mas na maioria das vezes, o fazer com maledicências, leviandades e irresponsáveis afirmações, que podem trazer prejuízos, não somente aos outros, mas também a si próprio.
Pedrista grandão, calçando 44, chega à cidadezinha garimpeira, e sabendo da existência de único hotelzinho vai para lá e pede acomodação, sendo informado que só havia um quarto e com cama de casal. Com aquilo, o companheiro do homão já queria arrepiar carreira. Não chegou à porta, contido que foi pelo pedrista: — “Que isso Das Moças, tem “portância” não, todo mundo já acha que sou bicha mesmo”. Até hoje paga a língua grande, que fala demais, até numa brincadeira. Quem não achava o que ele afirmara, de repente passou a achar.
Robertinho Cortes chega comigo em casa de novos amigos e companheiros para um jogo de canastra. Nas apresentações, vem de lá uma moçoila em estado bem avançado de prenhez, o que provocou, de Roberto, muitos votos de parabéns e outros agrados, chegando até a tentar acertar o sexo do esperado. Foi falando e bajulando a futura mãe, até a chegada da esposa do novo amigo, que também exibia uma senhora barriga. “Bob” Cortes, para mais agradar, extrapolou nos afagos: –“Você também, e seu menino é para quando”? Não deu outra. Desgostosa, a patroa apenas respondeu: -“Não senhor Roberto, minha barriga é igual a sua, de cerveja e de dormir depois do almoço”. Depois silêncio. Só o café sem açúcar e o tira gosto com muito sal.
Paulo Maluf se arrependeu e muito, estou certo, por ter dito em cadeia nacional de televisão: – “Podem votar no Pitta, se não der certo, nunca mais votem em mim”. Palavras proféticas, sua desgraça foi total. Caiu no ostracismo político, acabando na cadeia. O ex-presidente Figueiredo pediu ao povo para esquecê-lo e que preferia o cheiro dos cavalos ao de gente. Pelo resto da vida, quis consertar e nada adiantou, o enterro dele foi fraquinho, fraquinho.
Brasileiros são barulhentos, eu sei, com alguns extremados faladores irresponsáveis, mas nunca me preocupei muito com isso, embora exista um “quê” de muita verdade.
Quanto à própria humanidade, até Cristo, sem nenhuma intenção minha em contradita-lo, quem sou eu, se enganou: – “Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem”.
Sabiam sim, renegaram, torturaram e o mataram, utilizando-se de feroz e invejosa difamação para trocá-lo por Barrabás. Comprovando que o maledicente pode também matar, algo até mais importante, que um pouco significante cavalo.
José Altino Machado
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Os. Os personagens aqui citados são do meu cotidiano na vida, mas não se importam em aqui estarem para dar brilho a mensagem que busco passar…que é o que importa.