Precisa de alguma explicação adicional? Por ser autoexplicativo e sob o título Farms Here, Forests There (Fazendas aqui, florestas lá), o estudo, movido e financiado pela National Farmers Union (Associação Nacional de Fazendeiros), surgiu do lobby influente e diligente aos negócios da agricultura americana.
Aos americanos, por convicção, não lhes restam dúvidas de serem merecedores de dominar esse mercado. Assim que tal estudo destrinchou dados e informações de quanto a agroindústria norte-americana perderia para países tropicais, principalmente para o Brasil, os gringos moveram céus e terras.
É a lei da oferta e da procura: com mais oferta, menos ganho. Para dominar esse estrago da concorrência, só contendo a ampliação da oferta mundial de produtos agropecuários, reduzindo a expansão da área agrícola, em países tropicais. Como? Ora, ora, pela promoção de políticas ambientais internacionais mais duras.
Qualquer coisa como “aumentar a renda agrícola americana de US$ 190 bilhões para US$ 270 bilhões entre 2012 e 2030” é o efeito de “acabar com o desmatamento, por meio de incentivos dos Estados Unidos e da ação internacional sobre o clima” – explica o estudo. Desenvolvimento e riqueza a eles, florestas e doações a nosotros.
Sendo a Amazônia a floresta do mundo, os países ricos podem extenuar as suas, a fim de que sejam os maiores produtores, sem tanta responsabilidade ambiental por lá. Seria – e é – como se, do alto de suas posições, ordenassem aos subdesenvolvidos ou, carinhosamente, países em desenvolvimento, que ficassem com a responsabilidade, em troca das contribuições e dos subsídios -doações.
Para prejudicar o agronegócio brasileiro, deixemos as florestas TODAS em posição vertical! Isso, por si, aumentaria, naturalmente, a demanda internacional, que seria, então,socorridaporTioSam(EUA):
“Eliminar o desmatamento, até 2030, limitará a receita, para a expansão agrícola e para a atividade madeireira, nos países tropicais, nivelando o campo de jogo para os produtores americanos, no mercado global de commodities”- assegura o estudo.
Daí surgem os financiamentos a ONG’s internacionais, com atuações que batem em cada atividade dependente da terra amazônica e cujas bandeiras e intenções são tão confusas quanto seus valores, de países com arcabouço legal ambiental bem brando e flexível.
Diante do Código Ambiental e demais que compõem a legislação ambiental brasileira, beira heresia dizê-las inaptas ou deficitárias. Elas, as normas, são tão efetivas, quanto muito abrangentes, deixando pouco espaço de movimentação ao produtor nacional. Com enfoque na sustentabilidade, seus princípios receberam status de proteção às gerações futuras, e, em certo grau, atravancam os aspectos socioeconômicos dos que buscam trabalhar por aqui.
A depender da localização e dos biomas, exige-se o mínimo de vinte por cento de reserva legal (floresta em pé), podendo esse valor chegar a oitenta por cento, no amazônico. Mesmo assim, o Brasil é uma das raríssimas exceções mundiais que consegue produzir e interferir minimamente na floresta nativa.
Todavia, tudo isso pode ficar mais severo: tramita no Senado americano a lei de mudança climática, que negocia créditos de carbono ilimitado pelo impedimento de desmatamento tropical – leia-se, por obséquio, brasileiro.
Aqui, nenhuma intenção ou apologia ao desmatamento, à degradação ambiental e ao abandono de terras improdutivas, mas a ênfase ao desejo de atenção e foco ao uso sustentável e à produtividade das áreas da Amazônia. Afinal, a quem interessa a deturpação desses conceitos, normativas e números, em nível mundial?
Basta lembrar que quem controla a energia controla o país e quem controla o alimento controla as pessoas. Manter o pé no pescoço dos produtores brasileiros, impondo-os à dependência a outros países é coisa antiga de jogo histórico. Enfim, quem de vós, estrangeiros, quereis depender e permanecer nas mãos do Brasil, para se alimentar?
E, contra esse fim, alguns acordos buscam e visam única e exclusivamente o controle e a contenção do desenvolvimento brasileiro. Além dos americanos interessados, os franceses – “oui” – também o querem. Não à toa, eles recebem muitos subsídios para produção agrícola, da União Europeia, para manterem os benditos desígnios da França pelo não desmatamento da Amazônia brasileira.
Precisa de alguma explicação adicional? Fazendas aqui, florestas lá. O lobby dos cuidados com a Amazônia é ancião, contudo, vez ou outra, ganha cara nova. A herança do direito divino ao desenvolvimento é deles. Assim, mesmo diante de toda a habilidade e do real interesse em seguir produzindo, condizente com o regramento legal, aos brasileiros, restou a dívida mundial do desmatamento global.
Fazendas aqui, florestas lá
