Estudante da Fundação Getúlio Vargas por longos anos, e sob a batuta de um severo professor da língua portuguesa, José Ibsen Marques, não consegui tornar-me um hermeneuta como o mestre. Piorando as relações e alimentando até inveja o danado era campeão sul-americano em salto de altura. Inventou uma tal de tesoura, que imitada tornou-se formidável ferramenta na prática daquela modalidade esportiva.
Para que tenham uma ideia do rigor daquele educador, tenho a dizer que o hino nacional, que hoje poucos cantam, me parecendo até inexistir tal prática nas escolas atuais, esse Ibsen, com ele, simplesmente teve a cachimônia de pôr três meses nos fazer estudar o que Osório Duque Estrada compôs. Dizia que daquelas palavras deveríamos absorver a real mensagem do chamado à pátria.
Com ele, também aprendemos por meio de sua palavra rigorosa e dedo em riste, que teríamos sempre que evitar proferir estultices que causam além de impropriedades, demonstração de extrema burrice. Afirmava também que, uma vez proferidas, seríamos sempre perante interlocutores julgados por elas. Uma vez ditas, não haveria como recolhê-las.
Pois é, esta semana, 5 (cinco) de junho, dia consagrado aos eternos dias de meio ambiente, consternado e pasmo, quedei-me ouvindo nossa executiva maior de meio ambiente, a Ministra de Lula, Marina Silva. Por sorte Ibsen é morto…
Não resta nenhuma dúvida, que para um utópico sonhador ambiental, não diria discurso, mas fala, foi legal, porém ali estava e posta representação de um ministério de cuida da conciliação entre um meio ambiente natural, fenômenos de Deus e alguns erros Divinos, se é que possam existir, os seres humanos. Bem para isso existe e foi criado tal ministério.
A destacada deputada eleita por São Paulo, estado este que adora sacanear o Brasil, (vide cacareco, macaco Simão e outros do gênero), por apoios e convencimentos a pé de ouvidos, por Lula foi escolhida para defesa de paus, bichos, águas, toda uma natureza, repito do Criador, e parece ser só. A tudo mais, uma montanha de dramas.
Em seu oficial corolário, sequer uma palavra foi dirigida à sociedade nacional que, racionalmente é a usuária do tal meio ambiente e que também fez existir tal ministério e hoje a própria ministra. Como se tudo a nossa volta fosse propriedade não só de seu cuidado como do próprio Lula.
Lá no hino de Ibsen, diz gigante deitado, mas não o diz dormindo. Está bem acordado e levado a frente e acima por quem muito trabalha, produz e põe picanhas e cervejas à mesa de quem faz, por merecer.
Nosso país é imenso e espetacular sendo acolhedor de muitas diferentes culturas, gentes e educações. Só os constitucionalistas pós ditadura e regime de exceção não se aperceberam disso. Sequer se deram conta que não só a concentração do erário como as disposições legais atropelam todo o pacto federativo. Os estados (com letra minúscula) se tornaram fantoches e prisioneiros de status gerenciais que nada tem a ver com a maioria deles.
A interferência MEC…ana na instrução e educação, também nada a ver com eles. Jamais gaúchos estarão parecidos a mineiros, como jamais mineiros se darão bem como nordestinos sertanejos de boas cepas. E todo o grande diferencial aí está. O menor dos males é mesmo a porção maior de dinheiro que carregam e utilizam a bel prazer, sem ouvidos às fontes arrecadadoras estatuais. Calando políticos representantes dos “legalmente” achacados, os aliciam com uma prática notável de emendas orçamentárias.
Somos mesmo uma Nação impossível a uma só cabeça e intenção administrativa. Não dá!! Impossível a se continuar assim. Por tudo que se assiste e acontece fica bem notório que conseguiram aniquilar até a inteligência do colonizador português que ao perceber a grandiosidade da descoberta, estabeleceu o regime das capitanias hereditárias com a obrigação única de ser mantida a união e respeito contribuidor equilibrado e ponderado ao poder central.
Um último general, ao deixar o gabinete do Planalto, saindo pelos fundos disse: “agora ao deixar o governo com a sanha famélica dos políticos, virá uma esbornia”. E assim aconteceu… O primeiro presidente civil após o profeta anterior, constituinte convocada e constituição aprovada também se manifestou com sabedoria: “com tal Constituição parimos uma Nação ingovernável”. Comprovadamente outro profeta.
Bem sei que não sou nem vidente serei, mas se jeito não dermos na administração e regulação da área ambiental, tragédias sociais continuarão a ser levadas a acontecer fragmentando o bem-estar de nossa sociedade a levando inclusive a rebeldia em forma de desobediências ou mesmo se tornando extremamente permissiva às facilidades promovidas pelo crime.
No próprio estado de São Paulo promotor de políticos incapazes, (exceções), acontecem ambientes mais que desfavoráveis à saúde, à vida de milhões, muitos necessitados, incluindo-se aí comunidades de povos originários (índios) que acantonados bem próximo a todos, são ignorados ou sequer lembrados que dirá defendidos ou cuidados. E todo um conjunto de habitantes, estão margeados por rios que são lixeiras e latrinas comuns, não somente a fezes, mas dejeções outras, de toxidades incomuns.
Salta aos olhos e inteligência de qualquer um o forte desejo em aparecer faturando politicamente através de baboseiras sem fim, para arrecadação de notoriedade e imerecidos prêmios.
Do ministério do meio ambiente, tão somente falta a portaria e regra à capacidade reprodutiva do brasileiro, quiçá a proibição total dos exercícios amorosos para tornar desnecessária a dependência de avanços das fronteiras do campo, da indústria à empregos, do minha casa minha vida e mais que tudo da fila dos ossos.
Muito já disse e em oportunidades sempre repetindo: SE É O HOMEM QUE PODE DESTRUIR OU CONSERVAR O MEIO AMBIENTE, POR QUE NÃO INVESTIR NO HOMEM? POR QUE NÃO EDUCAR?
Quanto aos próprios emissários repressores do governo, sem preparos para tal, deveriam serem recolhidas as armas portadas, as substituindo por diplomas e melhores formações para transmissão da necessária instrução aos trabalhos de nossa gente, que os apenas o exercem com a cultura que possuem.
Entretanto, politicamente também acredito, que aculturado o povo, algumas lideranças e políticos populistas deixariam de existir, e sem elas, outras escolhas tantas, também.
Proveito melhor a questão socioambiental nacional, seria uma nova Constituinte, devolvendo aos Estados (letra maiúscula) a capacidade de gerir seus tradicionais programas educacionais, códigos civis, penais e ambientais. Seriam todos mais bem cuidados, mais protegidos e por independências mais prósperos. Seus políticos de decisões estariam mais próximos de seus eleitores, que perdidos em uma longínqua e difícil capital federal.
Os fenômenos de Deus, todos, incluídos aí os humanos, não devem nunca, irresponsavelmente serem joguetes políticos em despreparadas intenções. Incluo aí como não poderia deixar de fazê-lo, a tragedia vivida pelo Rio Grande do Sul, que em programas oficiais tem se tornado propaganda oficial do governo do cavalo caramelo.
Minhas homenagens, embora póstumas, ao professor José Ibsen Marques, FGV 1952/54, que bem sabia, não só ensinar, mas o que dizia…
BH/Macapá, 09/06/2024
José Altino Machado