Uma suave brisa tocou-me o rosto e envolveu meu corpo com aromas de jasmins, rosas, lírios e alecrim vindos de descampados em amarelo – efeito da simples e delicada “dente de leão” entre plumas de macela – festiva imagem de aquarela.
Abro a tela, notícias pipocam em cascata de desgraças, de dores e da falência da humana convivência. Homens e mulheres rastejantes no andar de cima, do meio e de baixo, nos porões e sótãos das ruínas humanas e prósperas edificações de concreto.
Ouço apelos vindos das fronteiras, entre Argentina e Chile, onde caminhoneiros estão presos, em terras estrangeiras por circunstâncias de greves, sujeitos às mazelas da Covid-19, da fome, da sede e total falta de assistência de um governo omisso, não presente para socorrer a gente brasileira.
Pego na mão do vento e saio pelos caminhos de caminhar em silêncio em meio aos alaridos, pisando em folhas secas e nas verdes gramíneas, como quem compõem sinfonias, fazendo-me calmaria para avistar vaga-lumes em constantes piscadelas, abrindo clareiras por entre os descaminhos.