Quero falar das águas límpidas que correm livres entre a vegetação. Nas serras, regatos que entoam canções e fazem shows despencando das rochas em brancas nuvens, não de algodão, mas de hidrogênio e oxigênio limpando os ares , purificando, e restabelecendo a respiração das plantas, dos animais e dos humanos habitantes da Terra – o milagre da vida.
Não irie falar dos desertos que emergirão quando as queimadas lançarem para os ares as vegetações transformadas em nuvens cinzas, ressecando vales, planícies e colinas.
Quero falar do solo fértil repleto das mais diversas formas de cultivo e vegetações em equilíbrio com o cuidado amoroso do humano grato por estar aqui partícipe desta jornada, deste encontro de trocas, deste aprendizado feito ao “caminhar em frente” e largar os dejetos da cobiça, ganância e da inveja – obstáculos únicos da alegria de viver.
Não irei falar dos olhos ressecados e sem brilho com a ausência do vislumbre dos jardins da criação, sem a Esperança de vislumbrar um amanhã sem ódios e medos para seus filhos.
Quero falar de gargalhadas cascateantes explodindo do peito de crianças abrigadas nas bandeiras do Amor e da Paz carregadas pelos pais, pelos amigos, pelos governantes, por toda a gente destes trópicos utópicos ou das geleiras do Norte e Sul nos hemisférios terminais do planetinha azul.
Quero falar de um tempo em que os povos abandonem seus ódios e medos ancestrais, milenares, e se abracem em uma ciranda universal de compreensão e respeito por si e pelo outro . Onde as cobranças do ontem, do “olho por olho”, sejam substituídas pelo olhar olho no olho dos filhos de Abraão com Agar e Sara e ambos reconheçam a paternidade única cruelmente ao longo dos milênios negada. Então o mundo irá respirar em paz.
Enquanto este tempo não chegar quero falar aos sensatos e imbuídos do espírito de humanidade que, assim como na canção de Leonard Cohen, dancem, dancem comigo através do pânico, até que a humanidade esteja segura na região do Amor.