Aqui a cantar uma canção de ninar e sonhar.
Serenar, serenou… sereno
Serenar, serenou… sereno
Lá fora, lá longe, além-mar, canhões a troar.
Mães aflitas a correr com seus bebês a chorar.
São tão frágeis, tão indefesos…
O leite já não sugam, secou, sumiu, com o apagar
brusco dos sorrisos, pela dor da morte pública…
Quem irá registrar com clareza a vileza de um abutre que a si credita a grandeza de uma águia?
Desconhece que a águia, que é bendita, não habita entre covardes e idolatras do poder e tirania.
Nos caminhos brancos de gelo marcados com riscos vermelhos, vê-se o terror da guerra por ganâncias inspirada, por soberba e arrogância insuflada e perpetuada.
Lá, assim como aqui, vive muita gente a céu aberto enclausurada por mentiras, medos e ódios acalentados.