Como observado acima, a palavra “Fragmento” é simplesmente a parte de algo, e baseando-me nisso, comecei a pensar sobre poesia, como também na afirmativa de que uma obra nunca é feita do nada, mas sim, é fruto de uma outra obra. Então, comecei analisar alguns poemas de uns amigos escritores, que apesar de serem não tão bem conhecidos, são grandes escritores e me inspiram muito a escrever aquilo a qual eu escrevo.
Fiquei observando o valor que tem cada texto desses amigos escritores. são obras de real valor literário que possuem algo em comum: todas elas partem, sempre com um espírito de negação, de uma filosofia, de uma estética e de uma visão de mundo e constituem, em seus labirintos, uma visão de mundo própria, uma outra filosofia e uma nova estética dentro de seu próprio universo, fosse como uma virtualidade singular que, para existir, precisa de uma outra voz, uma outra forma, uma outra perspectiva.
Decidi colocar, neste artigo, alguns poemas de alguns amigos poetas como se estes poemas fossem fragmentos de um todo que constitui um rol de amizade e admiração literária. Obras que nos mostram que fazer literatura não é somente escrever, contar uma história, construir um estilo. É criar uma filosofia estética e visão de mundo, é constitui-la com toda a singularidade, com toda a sinceridade, coragem e unicidade que do autor for possível, uma virtualidade singular.
TODA SOLIDÃO
A porta escancarada
A janela aberta
O peito aberto
E eu sem saída
(Hélio Santos)
A CURA
Os meus versos estão sangrando feito carne cortada.
Ardendo feito o efeito da brasa quando toca a pele.
Eles vêm de mansinho lavar o vivo e invisível sangue.
Lavam tudo e vão curando,
curando.
(…)
Os meus versos vão me convencendo de que
todo ardor passa.
Em linhas, com ou sem, em rimas,
os meus versos escondem a cor
do invisível sangue e vão curando,
curando…
e chega a cura.
(Téia Alves)
TAO
Na diferença que há
entre o que sou e o que quero,
ali, tomo assento, ali
me espero.
Na tensão que a vida gera
entre meu corpo e meu sonho,
ali, deus e fera, ali
me componho.
(Roberval Pereyr)
Alegoria
…Olha,
Passa por aqui seus lábios de esperança
A me traduzir seus olhos no futuro
Somos nós a fazer o sempre de agora
Sou eu a desdobrar esse dia de frases
Mas você resolveu ficar para ler
E encontrou versos que não havia lido
Na magia do eterno novo que se inicia
(…)
Seu amor será o afeto
Que partilha com o todo
Sem perder o sabor das partes
Da mansidão que lhe espera
Dessa luz que brilha…
…no coração …
…o mesmo a cada novo dia.
(Benilson Magno)
ECO
Cada palavra se perde no eco
Quando em mim ecoam feras
Sou sim, o meu próprio destino
Carne que sangra e se dilacera.
(Jorge A. M. Maia)
SENTINELA
E meus poemas se darão
Assim.
Deixarei que os meus
olhos
Os escrevam por
Mim.
(Jorge A. M. Maia)