A expressão “geração beat”, segundo um de seus membros mais destacados, Allen Ginsberg, apareceu em uma conversa entre dois outros representantes, Jack Kerouac e John Clellon Holmes, em 1948. Kerouac e Holmes discutiam o termo gerações ou a história das gerações de jovens, e Kerouc destacou que toda geração era uma “beat generation”, isto é, uma “geração perdida/batida/malfadada”. A expressão passou a vigorar nos círculos desses jovens escritores a partir do início dos anos 1950. Assim, o uso do termo “beat” tornou frequente-se e sua polissemia (múltiplos significados) também. Um jovem beat poderia ser, a um só tempo, um marginal (batido, no sentido de sujo ou escorraçado) e um amante do som do Jazz, por exemplo, já que beat também significa “batida” (ritmo musical).
Um recital gratuito ocorrido na Six Gallery, localizada próximo aos guetos da cidade de San Francisco é considerado o marco inicial desse movimento. Entre o público presente haviam negros, latinos e imigrantes, e os poemas eram de cunho político e contestador com relação aos acontecimentos da época.
Conhecido como um dos percussores do Movimento Beat, e um dos poetas e escritores mais importante deste movimento, Jack Kerouac, foi um escritor estadunidense de ascendência franco-canadense, nascido em Lowell, Massachusetts, 12 de Março de 1922. Teve uma infância séria, onde era muito dedicado à mãe. Frequentou um colégio jesuíta e ajudou o pai numa fábrica de impressão. Um de seus traumas mais trágicos, que voltaria relatado nos seus romances, foi a morte do seu irmão Gerard quando ele tinha apenas nove anos.
Kerouac “começou” escrevendo um romance, The Town and The City, sobre os tormentos sofridos na tentativa de equilibrar a vida selvagem da cidade com os seus valores do velho mundo. Ele foi o seu primeiro romance publicado, porém não chegou a lhe trazer fama. Devido também à má experiência, passaria muito tempo sem publicar novamente. Durante o período que se sucedeu, criou os rascunhos de outras grandes obras suas — Doctor Sax e On the Road. Na tentativa de escrever sobre as surpreendentes viagens que vinha fazendo com o amigo de Columbia, Neal Cassady, Kerouac experimentou formas mais livres e espontâneas de escrever, contando as suas viagens exatamente como elas tinham acontecido, sem parar para pensar ou formular frases. O manuscrito resultante sofreria 7 anos de rejeição até ser publicado.
Jack Kerouac certamente é mais conhecido pelas suas narrativas, em especial pelo livro On the Road – Na estrada. Os poemas do autor americano, para alguns, soam como leituras curiosas, pois o traço da escrita poética é pouco comentada pela crítica. Reunir um volume com todos os haicais escritos pelo autor mais lido da geração beat, além de preciosos, são curiosos. Ao lermos o Livro de haicais nos deparamos com o dia a dia do poeta beat, como também nos deparamos com questionamentos filosóficos e apreciações da natureza rabiscados pelo autor. Dentre as extensas temáticas exploradas por Kerouac no Livro de haicais, a solidão é a mais constante.
Assim como em sua obra em prosa, a poesia de Kerouac revela um padrão similar de desenvolvimento: do convencional ao experimental. Nunca um formalista, ele escreveu muitos haicais experimentais. Alguns, meramente deixava acontecerem, para retornar a eles, refinando-os enquanto seguia em frente. Como demonstram os poemas contidos em Some of the Dharmae em seus cadernos de notas, Kerouac considerava haicai uma designação vaga, um trampolim do qual podia saltar, algo que ele podia usar livremente para seus próprios fins artísticos.” Portanto, o autor não seguia de maneira rígida os conceitos clássicos do haicai, em que o poema é metrificado em versos que seguem a sequência 5-7-5 nem segue à risca a temática de descrever paisagens.
Sabemos que o haicai clássico é marcado pela fotografia poética da paisagem, ou seja, o poeta ao deleitar-se com a natureza a descreve em golpes rápidos. Essa descrição poética da natureza é marcada pela simplicidade e pela rápida descrição.
Haikai de Jack Kerouac
*
uma flor
na ribanceira
acenando para o desfiladeiro
*
segurando meu gato
que ronrona sob a lua,
eu suspirei
*
tarde de verão –
mastigando impacientemente
a folha de jasmim