Olhando ao sol sob o asfalto são inúmeros os sobressaltos, além do tórrido suor e ardência levando a falência das funções emblemáticas do sorriso e da transparência.
Do calor aos trincos e às rachaduras expõem-se ali a figura sem lisura do acionista da pública máquina pública, embora dele privada, que nos rouba idiomático os impostos e sobrepostos sintomáticos de total falta de compostura, uma constante tortura do cidadão e da cultura, a terra nua devastada – estrangulada.
Seria tudo isso algo novo, apocalíptico, nova ordem ou coisa similar no congresso egresso das fileiras suspeitas de pessoas de alto calibre e nenhuma humanidade?
Se Sim ou se Não, o fato é que não é novo. O novo DO HOJE é o novo repaginando O ANTIGO CEIFADOR de vidas e sonhos com disfarces tamanhos que nem disfarces há mais por entre portos ou cais. Deixaram cair as máscaras e os disfarces sem nenhum rubor nas faces – idiossincrasia – terror e fantasias.
Afirmo, tais fatos e disparates não são novos. Havia no século XVII, um poeta baiano, inconformado, indignado com o descaso reinante entre os gestores do paço com o populacho humilhado e subjugado diante do poder dos insensatos, chamaram-no de “Boca do Inferno”. Era Gregório de Matos Guerra.
Deixou-nos, além de versos de contundente sabor Barroco, algo bem mais atual, SÉCULO XXI, atualíssimo, os seus versos críticos, suas sátiras. Os versos de um não subjugado que por tal feito foi para Angola deportado:
“Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.”
Ele não poupou os representantes do clero, do governo nem da justiça, expôs ao mundo suas imundas vísceras. A leitura de Epílogos, de sua autoria, nos dá uma ideia de quanto o nosso momento atual é antigo e remonta ao período da colonização.